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terça-feira, 7 de abril de 2015

As Crianças e a Relação com Os Livros e a Leitura


Gostava de aqui falar deste assunto que muitas vezes se torna um problema para muitas crianças e famílias que é o gosto pela leitura e a sua aprendizagem. Quantos adultos conhecemos que não gostam de ler, nunca gostaram de ler e simplesmente não lêem e ninguém se pergunta porquê?
Para mim, a explicação é muito simples e infelizmente continua a acontecer nas escolas de hoje. As crianças não aprendem a ler porque são ensinadas a ler. Salvo raras excepções, as crianças são ensinadas a ler, com regras, com métodos, com truques, por obrigação e principalmente com livros que não têm o mínimo interesse para ninguém e muito menos para elas. 
Mais uma vez afirmo com toda a certeza e convicção que nenhum ser humano aprende seja o que for se o tema não for do seu interesse e isso também se aplica aos livros. Se a leitura, ou a aprendizagem da leitura não for feita com vontade e curiosidade, então não vai acontecer. Simples! Claro que há crianças que aprendem seja em que condições for, crianças essas que já estão formatadas e resignadas às escolhas dos adultos que as acompanham no seu crescimento e que simplesmente fazem o que se lhes pede, com mais ou menos sucesso, mas sem sequer questionarem o que lhes é imposto. Mas no que diz respeito à leitura, não acredito que essas mesmas crianças venham a ser curiosas e apaixonadas por livros a não ser que, a meio do percurso se consigam libertar dessas imposições e sigam os seus gostos e a sua curiosidade. Aí sim, ainda pode haver salvação. Mas a grande maioria dos adultos que não gostam de livros e que simplesmente não lêem, foram crianças a quem nunca perguntaram o que queriam ler e se queriam ler. Aliás, como se pode estar a incentivar a leitura nas crianças se não se dá valor à descoberta dos gostos literários mas simplesmente se avalia quantas palavras conseguem ler por minuto? Ridículo, não acham?

Aqui em casa, temos exemplos de todos os tipos no que diz respeito à descoberta da leitura. Bom, eu e o pai somos apaixonados por livros desde sempre, e eu, lembro-me de na minha adolescência ter devorado todos os livros de bolso da Europa América, sem nunca ter sido obrigada a nada. Claro que, dos livros do liceu, não li nem um, apenas os resumos e por obrigação.

A Madalena aprendeu a ler ainda ensinada por uma professora e sempre gostou de o fazer até lhe imporem determinadas leituras. Nessa altura deixou simplesmente de ler, o que me fez perceber que o problema estava, não nela, mas nos livros que lhe eram sugeridos, ou mesmo impostos. Decidimos em família que a Madalena só leria os livros que quisesse ler e informámos a professora de português que assim seria. A partir desse momento a Madalena é capaz de ler um livro com 400 páginas em pouco mais de uma semana, e lê-o com sofreguidão, com paixão, com medo que o livro chegue ao fim, e vai descobrindo os seus gostos pessoais. Claro que eu sou uma intermediaria neste processo, pois conheço-a muito bem e vou descobrindo os livros que acredito que são os que ela gosta. 

Temos o Lourenço que não queria sequer ouvir falar na palavra ler até ao momento em que decidimos que o quando, o como e o que leria seriam uma decisão dele. Demos-lhe liberdade total neste processo sem impor tempos ou metas. Sempre li para ele, e para todos eles, diariamente, e continuo a fazê-lo e acredito que um dia ele irá ler o seu primeiro livro e que esse será apenas o primeiro de muitos.

O pequeno Simão adora livros, já reconhece muitas letras e gosta de fazer as suas tentativas na leitura, embora ainda apenas com jogos de palavras e livros muito simples. Mas o Simão tem 4 anos.

A partir da experiência com os meus filhos, das dificuldades, das alegrias e das descobertas, elaborei uma lista de princípios que considero importantes para a aprendizagem da leitura e que nos ajudam a criar leitores apaixonados. Espero que gostem e que vos ajude no processo.

1. haver sempre livros e todo o tipo de livros espalhados pela casa. Em cima das mesas, nas prateleiras, nos quartos, nas camas e até na casa de banho e deixar as crianças explorar e escolher.
2. descobrir quais os interesses das crianças que vivem connosco e deixar à mão deles livros sobre esses mesmos temas. Não precisamos gastar fortunas em livros, existem bibliotecas.
3. ler para as crianças diariamente e se for na hora de ir para a cama, não os obrigar a deitar a cabeça na almofada. É importante que eles possam acompanhar a história, ver as ilustrações e se mostrarem interesse, deixá-los seguir a leitura através dos nossos dedos que podem acompanhar o texto.
4. deixar a criança escolher a história, sempre!!! Mesmo quando já a lemos 30 vezes e sabemos os diálogos de cor. E eles também!!!
5. nunca obrigar a criança a ler se ela o não desejar e no caso da criança já ler, respeitar a velocidade a que lê e a quantidade de texto que quer ler.
6. aprender a ouvir a criança sem interromper a leitura para a corrigir. As crianças não são parvas e percebem quando o que estão a ler não faz sentido e voltam atrás.      
7. quando a criança já é autónoma na leitura podemos e devemos ajudá-la na escolha dos livros, mas sem imposições. A decisão final deverá ser sempre do leitor.
8. respeitar sempre as escolhas literárias da criança mesmo quando esta frequenta a escola e tentar fazer ver ao professor que é mais produtivo a criança ler o que quer do que não ler de todo. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Como Aprendem as Crianças


Durante estes dias em que as crianças foram passar uns dias com os avós fiquei liberta para poder, finalmente, ler a pilha de livros que tenho na minha mesa de cabeceira. Embora acredite que a experiência do dia a dia a educar 3 crianças, brevemente 4, me ensina muita coisa, tenho sempre vontade de ler mais sobre aquilo que acredito ser a educação livre. É como se procurasse uma espécie de confirmação daquilo que venho constatando ao longo destes 3 anos em Ensino Doméstico e muitas vezes é apenas uma busca de inspiração. 
Neste momento estou embrenhada no livro "Dificuldades em Aprender" do John Holt, cujo título em português é, quanto a mim, uma péssima tradução do original "How Children Fail". Digo má tradução porque o livro fala justamente daquilo que faz com que as crianças falhem a determinada altura do seu percurso escolar e essa falha não tem nada a ver com dificuldades em aprender, mas sim, na forma como os adultos, erradamente, as tentam ensinar. A culpa das dificuldades das crianças é nossa, por muito que nos custe aceitar tal facto. As crianças falham, claro, como todo o ser humano de resto, mas as dificuldades, ou aquilo a que nós educadores chamamos de dificuldades, são criadas por nós quando achamos que temos que lhes ensinar seja o que for. E muitas vezes achamos que temos que lhes ensinar determinada coisa apenas porque determinámos que lhes vai fazer falta e nunca esperamos que eles sintam essa necessidade. Nenhuma criança, e quanto a mim, nenhum ser humano, aprende algo que não seja o que quer aprender. Por muito que despejemos conteúdos e conceitos na cabeça de alguém, esse alguém só verá neles utilidade se for isso que necessita naquele momento. Por isso, se queremos ver as crianças no seu melhor, curiosas, sonhadoras, devíamos ir ao encontro das suas  necessidades, dos seus interesses, dos seus sonhos. 
Neste livro, a certa altura, o autor dá-nos uma lista de 4 coisas que devemos ter em mente quando acompanhamos as crianças no seu dia a dia de desenvolvimento das suas capacidades e conhecimentos:

     1: as crianças não precisam de ser ensinadas para aprenderem e aprenderão mais e provavelmente melhor sem serem ensinadas.
     2: as crianças estão profundamente interessadas no mundo dos adultos e no que nele se passa.
     3: as crianças aprendem melhor quando as coisas que aprendem estão integradas num contexto de vida real e fazem parte do que George Dennison, no seu livro The Lives of Children, chamou "a experiência contínua"
     4: as crianças aprendem melhor quando a sua aprendizagem está relacionada com um objetivo imediato e sério.

É nisto que eu acredito com toda a convicção. Se é fácil por em prática quando temos metas curriculares para cumprir e datas de exames a aproximarem-se? Não! Mas não é para ser fácil, é para ser apaixonante, é para ser verdadeiro, e isso depende apenas de nós pais e educadores, se queremos esperar pelas crianças e vê-las crescer saudáveis e felizes, ou se queremos o sucesso imediato a qualquer custo. 

terça-feira, 24 de março de 2015

Lavatórios, Icebergs e Filmes


Hoje de manhã, na casa de banho, o pequeno Simão perguntou para que serve aquela ranhura do lavatório que fica por baixo da torneira. Depois da explicação teórica, enchemos o lavatório com água até começar a sair pela ranhura e fui-lhe fazendo perguntas. Se sair mais água pela torneira do que aquela que sai pela ranhura o que acontece à água do lavatório? E se for ao contrário, o que acontece? O Simão foi respondendo e percebendo a relação entre a quantidade de água que entra e a que sai dependendo do fluxo em cada lado. Com uma taça de plástico, o Simão fez um barco e tentou fazer outro com um copo e percebeu que a taça fica a boiar, mas que o copo vai ao fundo "porque o copo é mais magro", segundo ele. Depois disse que a taça, se ficasse cheia de água ía ao fundo como o Titanic. Aí começaram as minhas perguntas:

- Porque é que o Titanic foi ao fundo?
- Porque bateu numa rocha gigante.
- Numa rocha?
- Numa rocha de gelo. Numa montanha de gelo.
- Como se chamam essas montanhas de gelo?
- Iceberg.
- E algumas pessoas no barco morreram como?
- De frio
- Que se chama hipotermia
- Pois. Hipotermia. O coração começa a bater muito devagar e depois para.

Como já tinhamos visto este filme há uns meses achei interressante como a informação mais importante ficou retida na cabeça do nosso Simão que ainda nem fez 5 anos. Mais uma vez me apercebi de como as crianças aprendem com tanta facilidade e prazer quando o tema lhes interessa e a forma é lúdica. E com isto posso demonstrar como para nós, cá em casa, os filmes são uma ferramenta de trabalho importantítissima.

Estas foram algumas das perguntas que ficaram na cabeça dos mais pequenos depois do filme e para as quais procurámos respostas:

- Como se morre de hipotermia e porquê. 
- Com é que um iceberg consegue estragar um barco tão grande.
- Porque é que as pessoas morriam com a queda do barco, com o impacto.
- Porque é que os ricos e os pobres viajavam em zonas diferentes do barco.
- Porque é que algumas pessoas ajudavam os outros e outras nem por isso.
- Porque é que na viagem entre Southampton e Nova Iorque foram para águas tão geladas? 

Durante a nossa pesquisa sobre a hipotermia descobrimos este video alucinante sobre um Britânico que mergulha e nada em águas geladas. Este vídeo levou-nos para além da hipotermia, para o tema do aquecimento global no Planeta. Mais um tema a explorar. Só falta encontrar um filme à altura!!


quarta-feira, 18 de março de 2015

O 4 de Julho - Ensino Doméstico

Resultado de imagem para o patriota filme
Muitas pessoas me perguntam como faço ensino doméstico, se sigo o curriculo, se faço fichas, se temos um horário rígido, como os avalio e sei o que sabem e tantas outras questões que entendo que pairem na cabeça das pessoas.
Bom, a minha resposta é sempre que depende da criança, da sua idade e principalmente dos seus interesses. Sim, porque mesmo com um currículo para cumprir e exames para fazer, tento sempre seguir os interesses deles porque sei que as crianças só aprendem o que querem aprender e quando querem aprender. Não vale a pena despejar-lhes curriculos se o tema não for aquele que lhes interessa naquele momento e por outro lado, no que diz respeito a fichas, que poucas crianças gostam de fazer, só servem para aferirmos o que eles já sabem e eu faço-o de muitas outras formas. Eu vivo com eles 24 horas por dia!
Aqui em casa, a matemática é o único tema que estudamos usando um método bastante tradicional e por vezes com exercícios escritos, mas todas as outras disciplinas são trabalhadas de uma forma muito pouco estruturada e com muito pouco suporte escrito da parte das crianças. Qualquer um dos meus filhos tem uma forma de aprender bastante parecida com a minha, gostamos de histórias e de exemplos concretos para perceber as coisas. Pode até ter alguma influência da minha parte, mas já tentámos outras formas de aprender que não funcionaram tão bem. Alías, a Madalena, que está este ano na escola diz muitas vezes com um ar triste que gostava da forma como aprendiamos em casa. Digo aprendiamos, porque eu também estou em constante aprendizagem, pois muitas vezes tenho que procurar informação e ler sobre determinado tema para depois o poder discutir com eles.
Bom, como me fazem sempre muitas perguntas sobre como trabalhamos, resolvi escrever aqui sobre isso. E hoje, para começar sem ser de uma forma apenas teórica, vou dar-vos um exemplo bem concreto e prático de como aprendemos o que eles querem aprender.
Ontem na biblioteca, o Lourenço pediu para trazermos o filme, "O Patriota", para vermos em casa. Eu sei que ele adora filmes épicos e de guerra e pensei que era uma forma muito simples e apelativa de falarmos do tema do filme, a guerra da independência dos EUA. Assim, ainda antes de vermos o filme, fui procurar informação que me explicasse a mim, os factos históricos sobre aquele tema, para que os pudesse explicar ao Lourenço de uma forma acessível e rápida, que nestas coisas não vale a pena alongarmo-nos com explicações que ultrapassem o entendimento deles. Aproveitámos para olhar para o mapa mundo que temos na nossa parede e ver onde fica a Inglaterra e os EUA e percebermos que naquela altura, século 18, se navegava por mar para chegar ao outro lado do oceano e conquistar novos territórios. 
Durante o filme também falámos das roupas que usavam na altura, que tipo de armas existiam, o que era uma milícia, de como funcionavam os mensageiros para distribuir correio, de como não havia telefone nem carros, de como não havia eletricidade e de como brancos e negros conviviam naquela altura. Aprendemos imenso!  
Claro que muitas pessoas acharão que este filme não é para a idade deles, mas isso é outro tema a debater. Para mim, depende da criança e daquilo que ela é capaz de assimilar. No nosso caso vemos quase todo o tipo de filmes, mas isso é uma decisão de cada família. 
Aqui deixo-vos também o texto que usei para lhes explicar a história do filme.


"4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos da América. Muita gente não tem ideia do que esta data significa para o povo americano. Tudo começou em 1607. Naquele ano, um pequeno grupo de colonizadores fundou a primeira colónia inglesa permanente na América. Posteriormente, 13 outras colónias espalharam-se pela costa Atlântica todas elas sob o domínio do rei da Inglaterra e com mais de 2 milhões de colonizadores. No centro, Pensilvânia, New York, New Jersey e Delaware; no norte, Massachussetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut e no sul, Virginia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia. Quando a Inglaterra resolveu cobrar impostos dos colonizadores, muitos se recusaram a comprar os produtos tributados dando início a uma grande revolta contra a Inglaterra. Um acto contra a cobrança de impostos, de grande importância em 1773 foi o “Boston Tea Party” que aconteceu em Boston, Massachussetts, onde colonizadores, disfarçados de indíos, destruiram mais de 3 centenas de caixas de chá retirando-as dos navios ingleses e atirando-as ao mar. Várias leis intoleráveis impostas pela Coroa Inglesa provocaram a convocação do primeiro Congresso Continental de Filadélfia, em 1774, pedindo ao Rei e ao Parlamento a revogação da legislação autoritária e igualdade de direitos aos colonizadores. Tais revoltas dão início à Guerra da Independência em 1775. Um ano depois foi formulada a Declaração da Independência para proclamar a separação das 13 colónias americanas da Inglaterra que foi escrita por uma comissão de 5 membros e liderada por Thomas Jefferson, e promulgada em 4 de julho de 1776 em Filadélfia por delegados de todos os territórios. A Declaração dos Estados Unidos da América é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito dos Direitos Fundamentais do Ser Humano. A data de 4 de Julho é o mais importante feriado americano. Celebrado com paradas, eventos desportivos e fogo de artifício. A bandeira americana é hasteada e decorações com fitas azuis, vermelhas e brancas são utilizadas em cerimónias públicas."(texto retirado daqui, mas com pequenas alterações para português)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Passeio na Falésia da Adraga

No início deste ano, com a mudança de casa para Almoçageme, prometi aos rapazes que iriamos fazer mais passeios ao ar livre e que iriamos ainda mais vezes à praia já que agora é mesmo aqui em baixo. Sempre que tenho um pedido para irmos passear largo tudo e aí vamos nós, porque acredito que não há nada melhor para fazermos juntos e sempre apanhamos ar fresco e fazemos exercício, que bem preciso para me manter em forma com esta barriga a crescer sem parar!
Os miúdos queriam muito ir visitar as grutas por cima da praia da Adraga e então lá fomos os 3, ou os 4, subir a falésia até lá acima e fizemos uma caminhada até à Pedra d'Álvidrar, demos a volta por cima da falésia e descemos novamente até à praia.
Neste blogue aqui de Sintra podem encontrar a lenda da Pedra d'Alvidrar e algumas explicações sobre o que é essa mesma pedra.
A vista é magnífica e estava um dia maravilhoso.











quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Gripe e Muita Confusão

Esta semana a Madalena tem estado doente em casa, mas até me sabe bem tê-la por aqui mesmo que sem se mexer muito. Tem sido da cama para o sofá e do sofá para a cama. 
Temos ficado por casa, sem grandes saídas e passeios à praia como gostamos, mas temos aproveitado para fazer outras coisas. 
Temos lido mais, temos feito recortes e pinturas, tricô, saltos na cama da mãe para libertar energias, (ainda bem que o pai não sabe) e muito caos, claro!
É bom ter as crias todas juntas no ninho! Já tinha saudades...







quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Carimbos










Há já muito tempo que queria começar a encher as paredes do quarto dos rapazes com cor e arte mas não sabia muito bem o que lá colocar.
Há uns dias vi umas ideias para carimbos na internet e achei que seria uma boa atividade para fazer com eles, usando no final o resultado para dar cor ao quarto com coisas feitas por nós.
Usámos batatas, couves, lã, peças de lego, rolos de papel higiênico e tudo o que nos veio à cabeça. E saiu uma coisa bem divertida. No final, recortei as folhas A4 em quadrados iguais e colei-os na parede do quarto deles. Quando estivermos cansados daquela pintura, fazemos outras...
Espero que gostem!
Raquel

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Fermento e Um Pão sem Gluten



Hoje resolvemos começar o dia com um pão sem gluten. Já tinha comprado a farinha especial há uma data de tempo e ainda não tinha tido coragem de lhe pegar. 
Ando a tentar retirar o glúten da nossa alimentação, mas não é uma tarefa nada fácil e acaba por ser mais uma coisa com que me preocupar no meio de tantas outras. Mas com tanta chuva e algum frio lá fora até apeteceu ligar o forno.
No momento de juntar todos os ingredientes, surgiu a pergunta de uma cabecinha pequenina: "o que é isso do fermento? Para que serve?"
Lá fomos então investigar e encontrámos uma explicação bem fácil e à altura destes pequenos curiosos aqui neste site.
Retirei a informação mais interessante que agora partilho convosco.

O que é o fermento?
O fermento biológico é composto por microorganismos vivos, fungos, que chamamos de leveduras. Essas leveduras, que têm um nome bem esquisito, saccharimyces cerevisiae, vão multiplicar-se quando estiverem em contacto com a temperatura da massa e com o açúcar também da massa. Esses bichinhos alimentam-se desse açúcar e começam a multiplicar-se.

Para que serve o fermento?
Para fazer a massa crescer e ficar mais fofa.

E o que faz a massa crescer?
Esses bicharocos, chamados de fermento, ao reagirem à temperatura e ao açúcar da massa começam a libertar álcool e dióxido de carbono. Este gás faz a massa crescer e o álcool dá sabor e aroma.

Depois de tudo explicadinho lá fizemos o nosso pão que saiu muito bem.




Aqui fica também a receita:
500g farinha especial "ma vie sans gluten" comercializada pela Próvida
1 colher de sopa de azeite
22g de fermento fermipan
480g água

Colocar a água juntamente com o azeite e o fermento dentro do copo da Bimby. Misturar na VEL4.
Programar 3MIN, VEL ESPIGA e ir deitando a farinha. No final, deitar a massa para uma forma retangular forrada com papel vegetal e levar ao forno a 180°C durante cerca de 50 minutos.
Colocar um recipiente com água dentro do forno para que o pão não fique muito seco.
Bom apetite!


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sólidos Geométricos

Isto de falar de sólidos geométricos de manual aberto para crianças de 8 anos parece-me ridículo. Assim como tantas outras coisas que perdem toda a graça quando se pega no manual. 
Como acho que já disse, este ano não adotámos manuais escolares para o 3º ano. Vou seguindo as metas, outras vezes nem por isso, e vou usando a imaginação para tornar as coisas mais agradáveis.
Desta vez apeteceu-nos falar de polígonos e de sólidos geométricos. Depois de vermos as definições para cada coisa, de percebermos que podemos construir sólidos geométricos a partir de polígonos, depois de procurarmos na despensa e pela casa fora por sólidos geométricos, resolvemos construí-los nós mesmos.
Foi imprimir, descobrir as figuras planas dentro de cada sólido, foi pintar, recortar e colar.
E no fim, ficou assim!



terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Mãe com Bebé na Barriga"

O Simão não é um grande desenhador, nunca foi, nunca mostrou muito interese por desenhos, mesmo quando todos nós nos sentamos para desenhar ou pintar. Até agora, o máximo que fez foi riscos e rabiscos. Para nós isso nunca foi um problema e nunca lhe mostrámos ou dissemos o que deveria fazer ou como fazer. Deixei sempre fluir, à vontade dele, curiosa se algum dia ele iria desenhar. Cheguei a pensar que nunca deixaria de fazer rabiscos, mas mantive-me firme na convicção de que se algum dia fizesse mais do que isso seria por sua vontade e criação.
Cá em casa já todos são crescidos, noutra fase de desenhos e pinturas, e como o Simão não vai a escola, não tem onde ir buscar ideias, não tem quem imitar. Mas esperei, sempre na espectativa do que iria acontecer. Foi quase um estudo científico. Eu queria mesmo saber!
E ontem, do nada, o Simão desenhou "uma mãe com um bebé na barriga"!
Conclusão do meu estudo científico: (tom irónico que eu não tenho feitio nem capacidade de organização para estudos científicos) todos lá chegam! Uns antes, outros depois, mas todos lá chegam! Todas as crianças têm capacidade criativa. E os riscos e rabiscos, e mais tarde a figura humana como o Simão desenhou, estão lá, dentro deles. Todos passam pelas diferentes etapas e nós não precisamos de os ensinar, de fazer para eles copiarem, e eles não precisam de observar as outras crianças a desenhar para poderem aprender. Essa capacidade nasce com eles. Basta que vivam o dia a dia de olhos abertos e curiosidade aguçada, que um dia, do nada, vão passar para o papel tudo aquilo que andaram a observar. E quando o fizerem, já amadureceram, já têm motricidade para isso, sai naturalmente.
E seria tão bom que a escola respeitasse isso, que os deixasse lá chegar, livremente, sem regras, sem tempos, sem imposições.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Cores

Depois de 4 meses de férias do blogue apeteceu-me voltar. A ideia não era deixar de escrever completamente, mas o tempo foi passando e a vontade era pouca. Agora, com o regresso à escola e com novas ideias na cabeça, já faz sentido aqui voltar.
O meu último post foi sobre os exames, aqueles exames que as crianças em ED têm que fazer obrigatóriamente. A todas as disciplinas. Correram bem, se é que isso realmente importa e a  Madalena está agora no 7º ano e por sua decisão foi para a escola. Foi voar com as suas próprias asas, aquelas que andámos anos a fortalecer, foi ter novas experiências, sempre com a possibilidade de voltar se assim quiser.
Os rapazes continuam em casa e é sobre as suas experiências e feitos que aqui irei falar. Continuam a ser guerreiros, cavaleiros, índios, astronautas, animais selvagens e às vezes também são um bocadinho alunos. O Simão continua a fazer o que quer o dia inteiro, ou seja, brincar! O Lourenço faz uns intervalos para trabalhar, mas este ano estamos a experimentar uma nova abordagem. Não comprámos manuais e estamos a basear-nos apenas nas metas curriculares. Está a ser muito mais divertido! Até a escrita, que é o grande desafio do Lourenço, está a sair com mais arte! 
Começámos o nosso ano letivo com muita calma e de pincéis na mão, como eles gostam. Acho que este ano vamos ter os pincéis nas mãos muitas vezes... 
Estudámos as cores primárias e as secundárias, misturámos cores para ver o que davam:


Fizemos desenhos com cores quentes e desenhos com cores frias:




Recortámos os desenhos em forma de triângulo (podia ter sido qualquer outra forma, mas aproveitámos para perceber que existem tantos tipos de triângulos...) e voltámos a colá-los numa cartolina preta, como se fossem peças de um puzzle.



 Foi divertido! Aprendemos imenso e fizemos coisas que gostamos.
Até breve!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Os Exames


Alguém escreveu no Público de dia 18 de maio de 2014: "Exames transformaram escolas em centros de treino." Está lá para quem queira ler.
E eu vou escrever mais uma vez, e outra, e outra, e as que forem precisas até se fartarem de me ler.
Chamaram-lhes "centros de treino", pois eu diria "campos de treino" que quase que soa a "campos de trabalho", a escravidão, porque é isso que me faz lembrar. E onde é que queremos chegar? É mesmo isto que queremos para esta geração? Uma geração que só sabe responder a perguntas para as quais "treinou" afincadamente? Onde é que fica o espaço para o verdadeiro conhecimento, para a discussão de ideias, para as opiniões, para o debate, para a diferença? Sim, para a diferença, aquela diferença, perigosa para alguns, que põe em causa muita coisa. Se não tivesse sido essa diferença há uns séculos atrás, ainda hoje achávamos que a terra era o centro do universo. Houve quem tivesse sido apedrejado até à morte por ter tido ideias tão bizarras. Não será o mesmo, o que estamos a fazer aos nossos filhos? Estamos a matar o espírito crítico das crianças, estamos a dizer-lhes que está tudo inventado e que eles não servem rigorosamente para nada senão obedecer e aceitar o instituído. E isto é assustador, tão assustador que até custa a acreditar!
Infelizmente nós, pais, temos que pactuar com esta treta se não quisermos que os nossos filhos "fiquem retidos" ano após ano nestes tais "centros de treino" que mais parecem campos de trabalho. 
A escola deixou de ser um local onde se aprende para ser um local onde se treinam respostas que são avaliadas através de critérios que não deixam margem de manobra, em que só existe certo e errado.
Será mesmo isto o que queremos para os nossos filhos?
Eu, definitivamente, não! 


sábado, 26 de abril de 2014

FlowerPower


Há ideias que nascem nas nossas cabeças e que são postas em prática no momento seguinte. Há outras que levam o seu tempo para amadurecer, crescer, consolidar, e só muito tempo depois estão prontas para sair da casca que as rodeia, nós. Há sempre medos, dúvidas, incertezas e quase desistência, mas há momentos em que as ideias chegam àquele ponto em que têm que ter vida própria, força e coragem e que dê por onde der têm que se mostrar ao mundo.
Foi dessa vontade que nasceu esta ideia, minha e dos três mais pequenos cá de casa, de ganharmos algum dinheiro com aquilo que realmente nos apaixona e que gostamos de fazer. E assim nasceu a FlowerPower, da nossa criatividade, das nossas mãos.
Das mãos de todos nós nascem pulseiras e colares, mandalas olho de deus, desenhos, biscoitos, caça-sonhos, plasticina caseira e tudo o que nos apetecer no momento e que achemos que vale a pena oferecer ao mundo. 
Podem encontrar-nos no facebook na página da FlowerPower, ou através deste bolgue podem aceder diretamente à nossa loja online.
Espero que gostem do que temos para vós.
FlowerPower!

pulseiras

mandalas olho de deus



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Deusa que Esculpiu o Homem

"Houve um momento já perdido na memória do tempo em que a terra se separou do Céu. Embora já houvesse rios, mares e lagos, montanhas, vulcões, pássaros, peixes e árvores de fruto, não existia ainda um único ser humano à superfície da Terra.

Foi então que uma Deusa deixou a sua morada celeste e quis saber como se vivia nesse planeta azul que, à distância, parecia tão calmo e tão apetecível para viver.
A Deusa gostou do que viu e ouviu, do que provou e cheirou, mas, ao fim de alguns dias, sentiu-se profundamente só, pois não encontrava ninguém que, assemelhando-se a ela, pudesse ser parceiro numa conversa ou num jogo. Foi então que se sentou na margem de um rio e, querendo ocupar o tempo, começou a moldar uma figura com a terra barrenta que abundava junto dos seus pés. Como não tinha um modelo para copiar, foi-se guiando pela sua própria imagem reflectida na superfície da margem das águas.

Quando a pequena escultura ficou concluída, deu conta de que lhe faltava vida. O boneco que acabara de moldar não falava, não ria, não respirava, não tinha vida em suma. Foi então que lhe passou a mão pelo rosto, ao mesmo tempo que lhe cobria o corpo de barro com o seu sopro divino. Nesse mesmo instante, a pequena escultura começou a ensaiar minúsculos passos em seu redor, tentando, ao mesmo tempo, pronunciar algumas palavras quase indecifráveis. Esse foi, tanto para a Deusa como para a figurinha acabada de esculpir, um verdadeiro momento de magia, daqueles que nem a mais fértil imaginação consegue  antecipar." (...)

José Jorge Letria, Lendas da Terra, Terramar