quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A Magia das Coisas Simples

Quando lhes tiro os electrónicos das mãos a magia acontece, mas por vezes preciso de os empurrar para isto, deixando-os sem alternativa. Não sou contra os jogos de computador ou telemóvel, mas quando interferem na criatividade, não hesito.

Por vezes seguem-se momentos de resmunguice e de reunião para conspirarem, mas depois a magia acontece!!

Depois de construírem uma pira no quintal para cremarem uma osga já morta há uns dias, jogaram uma partida de monopólio enquanto o Matias fazia equilíbrio com os dados.

Gosto tanto de os ver assim. Afinal ainda nem tudo está perdido!!! 



terça-feira, 19 de junho de 2018

We Hurry Our Children

"We hurry our children to learn, to grow, to attend lessons and activities, to go to school. Like the hurrying that we imagine will result in more knowledge, we hurry our children out of the nest and into institutions run by strangers whose interaction with them is not always informed by love. As a society it sometimes seems as if we believe that hurrying our children into regimentation will make them tough and realistic, keep them from being vulnerably dependent on the protection of loving parents. Yet like academic hurrying, this independence-hurrying often has an effect contrary to our intentions. Paradoxically, it may prevent kids from growing up strong and independent. Independence grows form unconditional love, trust, and having one's appropriate dependency needs met, not from premature withdrawal of support. Perhaps our pressure on our children to grow, to learn, and to achieve is a reflection of our own way of being, as we hurry ourselves from task to task, from job to home, and through each moment, absorbed in our thoughts and anxieties, reacting rather than responding, acting from fear rather than love. Allowing our children the freedom to develop their own interests, to respond authentically to opportunities, and to grow and learn at their own pace is nothing less than refusing to indulge our fears and anxieties about the future and instead taking a courageous stand on behalf of love."
Grace Llewellyn - "Guerrilla Learning", 2001



foto tirada por César Betioli










quarta-feira, 4 de abril de 2018

Hoje termino o meu Dia com o Coração Cheio



Gosto quando chego ao final de um dia e há vestígios de criatividade espalhados pela casa, quando há recortes e lápis de cor, tesouras, pedaços de lã, puzzles, restos de comida e garrafas que são parte do meu trabalho. Gosto da sensação de dia cheio e planos concretizados, mesmo quando tenho as camas por fazer, a roupa por estender, brinquedos espalhados e o jantar vai ser uma sopa e restos do dia anterior.
No final, é para isso que aqui ando, a dar as ferramentas, o meu tempo e dedicação para que cada um descubra o que lhe dá prazer fazer e o faça sem limites ou regras e possa inventar o que lhe apetecer a cada momento dos seus dias. 
Hoje termino o meu dia com o coração cheio!!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Homeschooling e o Verdadeiro Problema da Socialização 

Quando dizemos que não vamos à escola, que somos homeschoolers, surge sempre a pergunta, aquela pergunta que nos deixa os pelos no ar, nos faz suspirar e revirar os olhos: “ah, mas então e a socialização?''Não vou aqui falar do que acho que acontece com a socialização nas escolas, nem vou falar da experiência das outras famílias homeschoolers, até porque cada família tem a sua própria forma de estar e de funcionar e não há duas famílias iguais no que diz respeito ao Homeschooling e por isso vou apenas falar da minha experiência pessoal e familiar.

Eu gosto de estar em casa e gosto de trabalhar em casa e nunca sinto tédio quando estou na minha casa. Mesmo tirando todas as tarefas domésticas que são imensas, gosto de tricotar, de cuidar da horta, de brincar com Lego, de ler para mim e para as crianças, de aprender coisas novas, ouvir música, ver filmes e escrever no blogue. Preciso de mais tempo sozinha do que a maioria das pessoas e depois de um dia intenso com muita gente preciso de tempo para mim.

Mas os meus filhos não são assim!!! Para eles, todos os dias são dia de ter amigos por perto e a primeira coisa que perguntam quando acordam de manhã é com quem é que vão estar nesse dia. E estão com amigos quase todos os dias, se não mesmo todos os dias. Já nem falo nas pessoas que vivem na nossa aldeia e com quem eles se cruzam e conversam todos os dias, falo de crianças da idade deles que parece ser aquilo que preocupa tanto as outras pessoas. Os meus filhos não vão à escola mas têm muitos amigos que vão e esses amigos batem-nos à porta quase todos os dias depois da escola para brincar. Para além disso, há o futebol e a ginástica e os dias em que estão com os outros homeschoolers. Já para não falar nos dias que se prolongam pela noite dentro quando os amigos cá ficam a dormir ou eles vão dormir a casa dos amigos.

A socialização dos meus filhos é tanta, que eu, para me proteger e sobreviver, tive que estipular dois dias na semana em que não há amigos, em que somos só nós, em que há tempo para estarmos uns com os outros em família, fazermos coisas juntos e também individualmente. Tempo para projectos pessoais, para lerem, para criarem.

A nossa sociedade preocupa-se tanto com a socialização de todos que se esqueceu do que é e como é estar-se sozinho. É tão importante termos amigos como sabermos estar sozinhos a fazer coisas só para nós, que nos dão prazer.

Gosto muito que no meio destes dias agitados e cheios de amigos e companheirismo, de aventuras ao ar livre e brincadeiras em grupo, também haja espaço para ensinar aos meus filhos a arte de estarmos sozinhos. Arte que eu muito aprecio, mas tão escassa nos dias de hoje.

Por isso, no meio de tanta vida social, muitas vezes anseio por dias de chuva para poder não sair de casa, porque de facto nós temos problemas com a socialização, mas não aqueles que todos pensam que temos!!


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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Pião Caseiro para Rodar e Rodar





As segundas feiras são mesmo dias de ficar em casa a inventar coisas para fazer com as crianças e tentar trabalhar um bocadinho. Normalmente aproveitamos os dias de sol para brincadeiras no quintal, com patins, com pistas de carros, com buracos de lama, enquanto metabolizamos um pouco de vitamina D. Mas nos dias de frio e chuva temos mesmo que inventar coisas para fazer dentro de casa. 
Hoje, as crianças acordaram com vontade de brincar com piões, mas todos os nossos piões estavam partidos ou desaparecidos, então fomos pesquisar como fazer um pião em casa. Encontrámos este vídeo muito simples e realmente fácil de seguir e com algumas alterações fizemos os nossos piões. 
Usámos tampas de pacotes de leite vegetal, fita adesiva para as unir, furámos as tampas usando um prego e os pauzinhos para o pião rodopiar eram pincéis finos que cortámos para usar o lado que não tem pelos. Não foi preciso usar cola nem berbequim e também não construímos os lançadores porque as crianças não quiseram.
Foi divertido e os piões funcionam na perfeição!! 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Bolo de Requeijão pelo Simão 



Têm sido tempos atribulados desde que o Matias nasceu. Para mim e para todos cá em casa. Às vezes, bastantes vezes, ouço aquela frase que não quero ouvir, que estou mais tempo com o Matias do que com qualquer outro dos elementos da família. É verdade! Ele absorve todo o meu tempo e atenção e os outros sentem isso.
Tenho vindo a tentar recuperar as coisas que costumava fazer com eles em casa antes de sermos uma família de 6. Tenho saudades dessas coisas, embora não tenha saudades de sermos apenas 5. Ter um bebé em casa quando também já se tem adolescentes é duro. Todos eles, com diferença de 4 ou 5 anos entre eles, têm necessidades totalmente diferentes e eu não consigo estar à altura de todas as solicitações e ainda trabalhar a partir de casa, escrever no blogue e namorar. 
Hoje, a pedido do Simão, resolvi voltar à cozinha com as crianças e fizemos um bolo para o lanche deles. No meio da confusão esqueci-me de por o fermento por isso não sei muito bem o que vai sair dali do forno.
Aos poucos vou recuperando as coisas que gostávamos de fazer juntos. Aos poucos!!
Ingredientes e receita: 1 requeijão de 250gr, 6 ovos, 125gr açúcar, 80gr óleo de coco, 125gr farinha de espelta e 1 colher de chá de fermento para bolos.
Bater as claras em castelo e reservar. Bater o requeijão com as gemas e o açúcar, juntar o óleo de coco e bater, juntar a farinha e o fermento e bater. No final, quanto estiver um creme homogéneo, juntar as claras e envolver. Deitar tudo numa forma de silicone e levar ao forno a 180°C durante cerca de 25 minutos.
Bom apetite!!





segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A Chegada de Mais um Outono na Serra de Sintra

Os bugalhos são aquelas bolinhas tão engraçadas que aparecem penduradas nos ramos dos carvalhos. Quando uns certos bichinhos da família das vespas picam o tronco de um carvalho e lá depositam os seus ovos, a árvore desenvolve uma bola onde vai crescer a larva que dará origem ao insecto. Quando o bichinho está pronto para voar, fura o bugalho e vai à sua vida, deixando para trás aquelas bolinhas engraçadas com um buraquinho.


Adoramos passear pela Serra no Outono, sentir como o ar está diferente e os cheiros são outros, brincar com a terra, apanhar frutos, observar como os fetos já secaram e largaram os esporos, procurar pelos bugalhos. 
Adoro passear com eles e ver como gostam de explorar, como fazem perguntas e já reconhecem a flora local e sabem o que se come e o que é só para olhar. Como percebem que há plantas que dão flor e outras que não e que por isso têm formas de reprodução diferentes. 
Adoro sentar-me a fazer tricô e vê-los e ouvi-los com os paus nas mãos, sempre com os paus nas mãos, a correrem pelo bosque e a subirem aos blocos de granito já tão familiares que não escondem dificuldades.
Sinto que para o Lourenço talvez sejam as últimas brincadeiras destas, já procura outros interesses, sinto-o a crescer a uma velocidade assustadora, a explorar o mundo e a vida de outras formas que já não são tão de criança e só desejo estar à altura deste desafio...