terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Para o Matias, o 6º Elemento da Nossa Família


Há bebés que nascem em famílias pequeninas cheias de amor, apenas com uma mãe e um pai para os receber no seu primeiro dia neste mundo, abraçar e beijar a toda a hora, em que todo o tempo e todo o colo é deles e para eles, em que se faz silêncio na hora do sono, nunca têm que esperar para comer nem mudar a fralda, tudo é para eles e o tempo é infinito.
Depois, há aqueles bebés que nascem em famílias cheias de gente, que quando abrem os olhos para o mundo têm vários pares de braços para os receber, todos os querem beijar e abraçar a toda a hora, mas em que todo o tempo e todo o colo não chegam porque não é só para eles. Nunca há silêncio na hora do sono e muitas vezes têm que esperar para comer ou mudar a fralda, nada do que acontece é apenas para eles e o tempo é sempre pouco. 
Mas sei que são igualmente felizes...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Almoçageme, a Nossa Aldeia

O Lourenço andou a fazer mandalas olho de deus para vender, e no sábado de manhã foi comprar pão com chouriço na feirinha de Almoçageme com o dinheiro que ganhou. Era cedo e a senhora do pão com chouriço ainda não tinha pães feitos nem o forno pronto, mas como o Lourenço gosta sempre de uma conversa, perguntou se podia lá ficar com ela, a ajudar e a conversar até os pães estarem prontos. No final comprou os 2 pães, um para ele e outro para o Simão e a senhora fez de propósito para ele mini pães com chouriço que lhe ofereceu. 
É por estas coisas que gostamos tanto desta aldeia.

                                        

                                       

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Porque a Nossa Vida é Aprender

Numa altura em que muitos parecem tão preocupados com rankings e notas até fico sem palavras para descrever o que sinto em relação a esse assunto. Assim de repente, a única coisa que me apetece dizer, copiando as palavras de alguém, é que esse tema é puro entretenimento para acéfalos! 
E como as ideias se me enrolam na cabeça, resolvi deixar aqui as palavras que um "Radical Unschool Dad" partilhou na sua página de facebook com o nome "The Unschool Dad". Estas palavras, que não são minhas, apenas as traduzi, refletem exatamente aquilo que eu penso da vida e do ensino e da educação que quero dar aos meus filhos. E é isto!!!

"A vida é a nossa escola, é assim que aprendemos. Não começámos no jardim de infância e não vamos acabar no dia em que tivermos um canudo na mão a dizer que estamos aptos para ter um emprego. Não aprendemos apenas durante alguns meses do ano, nem temos um edifício para esse fim, nem livros que dividem a vida em capítulos e disciplinas. Não temos cadernos que separam a história, da arte, da ciência e da brincadeira. Existem palavras que não fazemos ideia de como se escrevem e equações que não sabemos resolver. Respondemos às nossas perguntas com mais perguntas e não estamos preocupados com notas ou com impressionar os outros com o que sabemos. Não vivemos numa competição que põe crianças contra crianças, adultos contra crianças e adultos contra adultos. E não temos pressa nenhuma para chegar ao fim de uma qualquer estranha corrida, pois para nós não existe corrida nem existe fim. Não precisamos de férias de inverno, ou de primavera, ou de verão porque a nossa vida é aprender."
Unschool Unleashed






















segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Inspirações à hora do banho

Confesso que estes poucos meses de vida partilhada com uma adolescente, dois rapazes convencidos que nasceram para ser super heróis e um bebé que faz tudo para nos mostrar que não vale a pena criar expectativas em relação a absolutamente nada, têm sido uma verdadeira aventura. Muitos dos dias sinto que se adormecesse de repente e ninguém me acordasse, era capaz de dormir até à primavera. Entre garrafinhas de leite chamados biberons, fraldas a transbordar de cáca, um Matias que acha que essa coisa de panos porta bebés, mandukas, slings e afins foram feitos apenas para os outros bebés e um Simão que se lembrou de repente que tem que me mostrar todos os dias como a minha vida poderia ser muito mais fácil se me tivesse ficado pelo terceiro filho, sobram poucos minutos do dia para me dedicar aos jogos e histórias que eles tanto gostam.
Hoje de manhã, enquanto dava uma escapadinha rápida e nestes dias rara para dentro da banheira aproveitando uma soneca hiper mega curta do Matias, os super heróis ficaram na sala a inventar desenhos. Às tantas, irromperam pela banheira dentro com folhas nas mãos e com as caras mais felizes do mundo dizendo que tinham construido uma torre com frascos que estavam em cima da mesa que lhes tinha mesmo parecido uma torre de guerra tipo cavalo de tróia e que por isso a puseram em papel. Já não os via desenhar desde o início do verão, mas hoje foi isto que lhes saiu das mãos.
Mais uma bela manhã na terra do unschooling. 




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pequeno Grande Matias



Foi na noite de 24 de julho que o pequeno Matias começou a sua viagem para este mundo. Passei o dia cansada, sem energia, só me apetecia dormir. Há já umas duas semanas que me sentia muito cansada, mas aquele dia foi diferente. Depois de jantar fui deitar-me porque já não aguentava estar em pé. Tinha muitas contrações, que embora não fossem dolorosas já me indicavam que estava em trabalho de parto. Ainda me levantei para contar uma história aos dois rapazes antes de adormecerem como é nosso hábito, mas quando já todos dormiam, incluindo o pai, as contrações começaram a apertar e por volta da meia noite e meia saímos de casa para o hospital.
Chegámos ao hospital de cascais por volta da uma da manhã. Triagem!
Enfermeira a fazer perguntas! Eu, contrações dolorosas e seguidas! Queria "observar-me" porque podia não estar em trabalho de parto. Recusei, dizendo que sabia que estava, que era o meu quarto filho. Não há internamento sem ser "observada", respondeu! O olhar do Zé para mim, cúmplice! Respondeu-lhe que nesse caso íamos sair dali e esperar que o Matias nascesse! Enfermeira pergunta se eu aceitava fazer CTG! Aceitei! Entrei! O pai teve que ficar cá fora porque só poderia entrar depois de eu ser internada! Nunca fui internada! O pai nunca entrou!
CTG! Pedi para ficar de pé! Olhares aborrecidos e suspiros! Contrações seguidas, sem intervalos. Saí do CTG! Enfermeira e médico a fazer perguntas! Enfermeira a impingir epidural! Recusei! Eu em pé a respirar de olhos fechados! Enfermeira a chamar-me irresponsável por não aceitar o "toque"! Médico sentado a contar semanas num calendário! Palavras nos meus ouvidos para me sentar! Eu só queria estar em pé! Era impossível sentar-me com tantas dores! Respirava de olhos fechados! Enfermeira encostada à parede a brincar com o telemóvel! Médico a fazer perguntas! Sentei-me! Quantas semanas? Fez todas as análises? Quem era o seu médico? Data da última mesnstruação?  Porque não fez a primeira ecografia? Porque não fez amniocentese? Levantei-me! Bolsa rebentou aos pés do médico que nem se mexeu, só olhou com ar enojado! Enfermeira fugiu da sala e resmungou! Senti a cabeça do Matias sair! Gritei-lhes que ele ía nascer! Riram-se de mim! Médico a dizer para me deitar para me "observar"! Recusei! Disse-lhe que queria parir de cócoras! Gritos! Que não podia ser! Médico agarrou-me no braço a dizer que era ele quem mandava ali e que tinha que me deitar de barriga para cima e pernas abertas! Recusei! Médico abandonou a sala e nunca mais o vi até hoje! Gritei que o Matias estava com a cabeça de fora! Risos! Alguém me despiu as calças e as cuecas e gritou que se via a cabeça do bebé! Gritos! Corridas pelos corredores! Gritos! Eu, perdida, no meio dos gritos! Subi para a cama! De lado! Continuavam todos a gritar, menos eu! Eu respirava e sentia o ardor da pele e do músculo que rasgaram! Respirava! Pedi ajuda! Gritaram para me deitar e eu gritei que não! Gritaram que enquanto não me deitasse não me faziam o parto! E não fizeram! Coloquei-me de joelhos em cima da cama e o Matias saiu! Parteira a gritar que não o conseguia agarrar naquela posição! Eu gritei-lhe que conseguia! Ela rodou-o e ele nasceu! Apanhei-o de cima da cama! Abracei-o! Eram 2h29m do dia 25 de julho. Só depois o pai entrou!
Chorei durante dois dias depois do parto sempre que me lembrava de como tinha sido, de como me senti perdida e sem apoio de ninguém. Depois, com o passar dos dias percebi como foi catártico! Foi o que tinha que ser! Foi exatamente como eu queria que fosse, sem interferências de ninguém. Sem soros, sem ocitocina, sem epidural, sem nada, natural! Foi libertador! Só senti falta de uma mão amiga, de um abraço que me ajudasse a suportar as dores, de uma palavra a dizer que estava tudo bem, do homem que amo e que é pai dos meus filhos a dar-me a mão. Só! Esse "só" é tudo o que nós mulheres precisamos para ter um parto humanizado. Quando tudo está bem, quando não há complicações, não precisamos de mais nada! Eu não tive isso porque quis um caminho diferente daquele que a equipa médica tinha à minha espera. O meu parto foi uma luta que espero que abra caminho para partos mais humanizados. Não o fiz por essa razão. Fi-lo porque sou teimosa e meti na cabeça que era assim que queria parir. Mas agora, dois meses passsados, espero que as nossa luta por um parto mais humanizado abra o caminho para a próxima geração das nossas filhas e noras! Para que elas possam parir em paz! E para que os homens possam fazer parte desse processo como se nunca tivesse sido de outra forma! 
Parabéns Matias! Espero que venhas a ser um desses homens!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Wolf Children e a Liberdade de Escolher

Resultado de imagem para wolf children

Com o tempo acho que contagiei os meus filhos com o vício dos filmes de animação japoneses. Andam sempre à procura de algum que ainda não tenhamos visto e no meio de muitos que até nem interessam assim tanto, descobrimos verdadeiras obras de arte que nos marcam e que vemos vezes sem conta.
Um desses filmes chama-se wolf children e lembrei-me dele porque tem a ver com aquilo que queria aqui falar hoje, com as escolhas que os nossos filhos fazem ao longo das suas vidas e que nem sempre são aquelas que gostaríamos que fizessem, mas que ainda assim nos deveriam deixar felizes pelo simples facto de mostrarem que eles têm capacidade de as fazer. 
Quando falo de escolhas, falo de coisas do dia a dia que nós adultos temos dificuldade em aceitar, mas que para eles são importantes, lhes constroem a autoestima e são um treino para futuras escolhas mais complexas e importantes nas suas vidas. É como treinar com pesos pequenos para que um dia consigam treinar com pesos bem grandes. Porque crianças que aprendam a fazer escolhas em pequenas, mesmo errando, serão capazes de fazer escolhas mais complexas quando forem adultas. 
Para nós, enquanto família em Ensino Doméstico, fez parte de todo o processo aprender a aceitar as escolhas dos nossos filhos tentando não os controlar. Esta noção que temos de que podemos controlar tudo o que eles fazem é uma ilusão que só nos leva a guerras e desilusões. E a desilusão só acontece porque criámos expectativas, porque estamos à espera que eles sejam algo que não são mas que nós imaginámos que fossem ou queríamos que fossem.
Para nós, tomarmos consciência de que ao tentarmos controlar os nossos filhos só estávamos a distanciar-nos deles, fez-nos perceber que seriamos todos muito mais felizes se lhes déssemos hipótese de escolher nas coisas que lhes dizem respeito. E rapidamente chegámos a um ponto em que a nossa convivência é pacífica, em que nos entendemos e nos sentimos ligados, conseguindo comunicar sem segredos, podendo falar de tudo porque respeitamos as opiniões uns dos outros. 
Coisas como a roupa que querem vestir, se querem andar calçados ou descalços, o que comem e quando comem, se bebem água, se cortam o cabelo e como o cortam, se querem tomar banho, se querem ou não dormir, se querem ir passar uns dias a casa dos avós, se querem dar beijinhos às outras pessoas, como gastam o seu dinheiro, são decisões inteiramente deles. 
Claro que ao crescerem as decisões serão também elas mais complexas e algumas podem ir completamente contra aquilo em que acreditamos ou o caminho que queremos fazer, mas não deixam de ser as suas escolhas. Quando a nossa filha Madalena decidiu ir para a escola, foi uma decisão difícil para mim, talvez também para o pai, mas mais para mim. Queria dar-lhe essa liberdade, mas ao mesmo tempo não queria que ela fizesse essa escolha. Vejo todos os dias que a escola não é um lugar onde se aprenda alguma coisa de útil, onde se conheçam muitas pessoas interessantes, mas tive que aprender a viver com essa sua decisão. Se foi esse o caminho que escolheu e se encontrou o que procurava, então só posso ficar feliz por ela. Confesso que não tem sido fácil para mim aceitar isto, tem sido uma luta interior diária, há dias em que quase parece que desisti dela porque deixei de lutar por aquilo que acreditava ser o melhor para ela, mas depois penso que é o seu caminho e não o meu. Só poderei encontrar paz na minha relação com ela se aceitar que ela é capaz de tomar decisões sozinha, de escolher o seu caminho. E os nossos filhos serão sempre perfeitos se aprendermos a não ter qualquer tipo de expectativas em relação a eles, se aprendermos a aceitá-los exactamente como eles são. E não digo que seja fácil, para mim não foi nem está a ser, mas se quiser escolher o amor e o respeito dos meus filhos terei que ser capaz de os deixar viver as suas vidas. É um trabalho que terei que fazer todos os dias, mas acredito que vou conseguir lá chegar. 
  

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Barquinhos com Rolhas - Ensino Doméstico



Vimos uns barquinhos muito giros num site que já não me lembro qual era e os miúdos pediram para fazer. Já navegaram, já se desfizeram, mas deram origem a momentos divertidos.
Podem experimentar fazer com as vossas crianças.

Material para cada barco:
3 rolhas de cortiça
2 elásticos pequenos
1 palito para a vela
1 quadrado de papel para fazer de vela
tinta para pintar os barcos

Primeiro colámos as rolhas umas às outras porque percebemos que a do meio saltava para cima se colocássemos apenas os elásticos. Já aprendemos qualquer coisa com isto!!! :)
Depois espetámos o palito que iria servir de mastro.
Pintámos os barcos usando aguarelas que saíram na primeira viagem transaltlântica, claro! Se quiserem que a pintura dure mais tempo usem outro tipo de tinta que não saia com água. Nós só usamos tintas à base de água.
Depois dos barquinhos estarem pintados e secos, já podem colocar a vela e os elásticos e  levá-los a navegar.
Nós adorámos e divertimo-nos...