sexta-feira, 24 de abril de 2015

Este Momento #47



{este momento} - Um ritual de Sexta-feira. Uma simples foto, sem palavras, capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero parar, saborear e recordar.
A primeira vez que vi esta ideia foi no blogue A Horta Encantada e achei fantástica. Tenho fotos aqui guardadas que não sabia o que lhes fazer, mas gosto delas por serem momentos especiais cá de casa. Quem as vir, não vai sempre entendê-las, mas para mim são especiais.

A ideia original saiu do blogue soule mama.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Crepes com Matemática

Ontem fizemos crepes e comemos todos, não sobrou nem um, e também fizemos muitas contas com frações. Que parte do quilo são 200g? E 250g? E 10g, quantas vezes cabem dentro de 1 quilo? Estudámos o quilograma e as gramas e percebemos como funcionam as frações. Não falámos de conceitos como fração, nem numerador, nem denominador, nem divisão. Apenas os utilizámos na prática, no momento, quando foi preciso, e tentarei fazê-lo daqui para a frente como rotina, como forma de consolidar, encontrando situações no dia a dia para por em prática o uso das frações e talvez mais para a frente olhemos para as coisas de uma maneira mais formal. 

Quando os sinais que recebemos da criança são de confusão com conceitos, em vez de a afogarmos  neles, só temos que encontrar uma forma prática e informal de apresentar as coisas, de mostrar como funcionam no dia a dia e certificarmo-nos de que a criança consegue usá-las. Se o objetivo é perceber como funcionam as frações e para que servem, para quê complicar, com papéis e fichas inúteis que só vão criar aversão nas mentes dos mais pequenos? Claro que, de dia para dia, podemos aprofundar as questões, podemos dificultar os problemas, mas ainda de uma forma pouco conceptual. 

Sei que muitas pessoas consideram esta forma de aprender muito "no ar", muito pouco concreta, que acreditam que as crianças precisam de treino escrito e de fazer exercícios para consolidarem as coisas, mas para mim isso já deixou de fazer sentido há muito tempo. Depende das crianças, claro,  não há regras, é apenas seguir e respeitar a velocidade da criança e a sua vontade. Dá trabalho e puxa pela imaginação encontrar formas práticas de ensinar a matemática, de encontrar no dia a dia desculpas ou oportunidades para falar nas coisas, mas para mim é assim que faz sentido, é assim que as crianças aprendem sem criarem aversão. Acredito que chega uma altura em que podemos aprofundar as coisas de uma forma mais teórica, mas acredito também que as crianças nos dão sinais de quando o querem fazer e se estão preparadas para isso.

No meu caso pessoal é mais fácil fazer este exercício mental porque não sou matemática, não é um tema que domine com destreza a partir de certa altura, e por isso consigo facilmente colocar-me ao nível deles, pensar como eles e chegar a soluções práticas. É-me mais fácil colocar questões e perceber como eles chegam às soluções e depois seguir o seu raciocinio . Mas também revelo a minha dificuldade em aprofundar os temas quando chegamos a um nível mais avançado. Aí recorro mais aos livros, à teoria, confesso.







Agora, deixo-vos com a parte doce do dia de escola. A receita de crepes que nos levou às frações e às contas de dividir e que nos encheu a barriga e a alma.  

Crepes com tahini de cacau:
50g farinha de arroz
50g farinha de aveia
150g farinha de trigo
500g de leite de arroz
10g de azeite
1 pitada de sal
Tahini com cacau para barrar

Colocar todos os ingredientes numa taça e bater com a batedeira até ficar homogéneo. Para quem tem bimby, colocar todos os ingredientes no copo e programar 15SEG/VEL6.
Colocar uma frigideira untada com óleo ou azeite em lume alto e ir deitando pequenas porções. Quando as pontas do crepe começarem a ficar douradas, usar uma espátula para o virar e tostar do outro lado. No final, barrar com tahini de cacau.
Uma delícia!!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Este Momento #46



{este momento} - Um ritual de Sexta-feira. Uma simples foto, sem palavras, capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero parar, saborear e recordar.
A primeira vez que vi esta ideia foi no blogue A Horta Encantada e achei fantástica. Tenho fotos aqui guardadas que não sabia o que lhes fazer, mas gosto delas por serem momentos especiais cá de casa. Quem as vir, não vai sempre entendê-las, mas para mim são especiais.

A ideia original saiu do blogue soule mama.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Aventuras Fantásticas - Ensino Doméstico

Há uns dias atrás falei aqui das crianças e da sua relação com os livros e também de como para nós aqui em casa não tem sido fácil encontrar livros que convençam o nosso Lourenço. Tenho tido uma postura muito descontraída perante isto, mas não quer dizer que tenha desistido de procurar livros que possam despertar o seu interesse. 
Tenho tentado todo o tipo de livros, todo mesmo, mas por vezes fico tão focada no problema que a solução me passa ao lado. Já disse muitas vezes que o Lourenço adora jogos e que os jogamos muitas vezes, mas nunca me tinha ocorrido essa solução dos livros jogados e só se fez luz no meu cérebro quando esbarrei com aquela prateleira da biblioteca cheia de lombadas verdes que me remeteram para a minha adolescência. 
Já nem me lembrava das horas que tinha passado agarrada àqueles livros munida de papel, lápis, borracha e dados, das horas que passei a lê-los, dos diferentes caminhos que experimentei, das batalhas que lutei, das aventuras que vivi. Pois bem, esta coleção tem sido um sucesso também para o Lourenço que se levanta de manhã e pergunta se podemos continuar a ler a sua aventura. 
Estamos no primeiro volume da coleção, "O Feiticeiro da Montanha de Fogo", e temos lido em conjunto. A linguagem nem sempre é fácil e por isso temos mantido esta parceria na leitura, mas tem sido muito bom ver o Lourenço a esforçar-se por ultrapassar obstáculos linguísticos com grande determinação e felicidade.
Espero que esta ideia possa ajudar alguns de vocês e que vos traga longas horas de aventura.

P.S. As fotos aqui publicadas foram retiradas da net. Queria ter tirado umas fotos ao livro que estamos a ler mas neste momento estou sem forma de o fazer. 




terça-feira, 7 de abril de 2015

As Crianças e a Leitura - Ensino Doméstico


Gostava de aqui falar deste assunto que muitas vezes se torna um problema para muitas crianças e famílias que é o gosto pela leitura e a sua aprendizagem. Quantos adultos conhecemos que não gostam de ler, nunca gostaram de ler e simplesmente não lêem e ninguém se pergunta porquê?
Para mim, a explicação é muito simples e infelizmente continua a acontecer nas escolas de hoje. As crianças não aprendem a ler porque são ensinadas a ler. Salvo raras excepções, as crianças são ensinadas a ler, com regras, com métodos, com truques, por obrigação e principalmente com livros que não têm o mínimo interesse para ninguém e muito menos para elas. 
Mais uma vez afirmo com toda a certeza e convicção que nenhum ser humano aprende seja o que for se o tema não for do seu interesse e isso também se aplica aos livros. Se a leitura, ou a aprendizagem da leitura não for feita com vontade e curiosidade, então não vai acontecer. Simples! Claro que há crianças que aprendem seja em que condições for, crianças essas que já estão formatadas e resignadas às escolhas dos adultos que as acompanham no seu crescimento e que simplesmente fazem o que se lhes pede, com mais ou menos sucesso, mas sem sequer questionarem o que lhes é imposto. Mas no que diz respeito à leitura, não acredito que essas mesmas crianças venham a ser curiosas e apaixonadas por livros a não ser que, a meio do percurso se consigam libertar dessas imposições e sigam os seus gostos e a sua curiosidade. Aí sim, ainda pode haver salvação. Mas a grande maioria dos adultos que não gostam de livros e que simplesmente não lêem, foram crianças a quem nunca perguntaram o que queriam ler e se queriam ler. Aliás, como se pode estar a incentivar a leitura nas crianças se não se dá valor à descoberta dos gostos literários mas simplesmente se avalia quantas palavras conseguem ler por minuto? Ridículo, não acham?

Aqui em casa, temos exemplos de todos os tipos no que diz respeito à descoberta da leitura. Bom, eu e o pai somos apaixonados por livros desde sempre, e eu, lembro-me de na minha adolescência ter devorado todos os livros de bolso da Europa América, sem nunca ter sido obrigada a nada. Claro que, dos livros do liceu, não li nem um, apenas os resumos e por obrigação.

A Madalena aprendeu a ler ainda ensinada por uma professora e sempre gostou de o fazer até lhe imporem determinadas leituras. Nessa altura deixou simplesmente de ler, o que me fez perceber que o problema estava, não nela, mas nos livros que lhe eram sugeridos, ou mesmo impostos. Decidimos em família que a Madalena só leria os livros que quisesse ler e informámos a professora de português que assim seria. A partir desse momento a Madalena é capaz de ler um livro com 400 páginas em pouco mais de uma semana, e lê-o com sofreguidão, com paixão, com medo que o livro chegue ao fim, e vai descobrindo os seus gostos pessoais. Claro que eu sou uma intermediaria neste processo, pois conheço-a muito bem e vou descobrindo os livros que acredito que são os que ela gosta. 

Temos o Lourenço que não queria sequer ouvir falar na palavra ler até ao momento em que decidimos que o quando, o como e o que leria seriam uma decisão dele. Demos-lhe liberdade total neste processo sem impor tempos ou metas. Sempre li para ele, e para todos eles, diariamente, e continuo a fazê-lo e acredito que um dia ele irá ler o seu primeiro livro e que esse será apenas o primeiro de muitos.

O pequeno Simão adora livros, já reconhece muitas letras e gosta de fazer as suas tentativas na leitura, embora ainda apenas com jogos de palavras e livros muito simples. Mas o Simão tem 4 anos.

A partir da experiência com os meus filhos, das dificuldades, das alegrias e das descobertas, elaborei uma lista de princípios que considero importantes para a aprendizagem da leitura e que nos ajudam a criar leitores apaixonados. Espero que gostem e que vos ajude no processo.

1. haver sempre livros e todo o tipo de livros espalhados pela casa. Em cima das mesas, nas prateleiras, nos quartos, nas camas e até na casa de banho e deixar as crianças explorar e escolher.
2. descobrir quais os interesses das crianças que vivem connosco e deixar à mão deles livros sobre esses mesmos temas. Não precisamos gastar fortunas em livros, existem bibliotecas.
3. ler para as crianças diariamente e se for na hora de ir para a cama, não os obrigar a deitar a cabeça na almofada. É importante que eles possam acompanhar a história, ver as ilustrações e se mostrarem interesse, deixá-los seguir a leitura através dos nossos dedos que podem acompanhar o texto.
4. deixar a criança escolher a história, sempre!!! Mesmo quando já a lemos 30 vezes e sabemos os diálogos de cor. E eles também!!!
5. nunca obrigar a criança a ler se ela o não desejar e no caso da criança já ler, respeitar a velocidade a que lê e a quantidade de texto que quer ler.
6. aprender a ouvir a criança sem interromper a leitura para a corrigir. As crianças não são parvas e percebem quando o que estão a ler não faz sentido e voltam atrás.      
7. quando a criança já é autónoma na leitura podemos e devemos ajudá-la na escolha dos livros, mas sem imposições. A decisão final deverá ser sempre do leitor.
8. respeitar sempre as escolhas literárias da criança mesmo quando esta frequenta a escola e tentar fazer ver ao professor que é mais produtivo a criança ler o que quer do que não ler de todo. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Como Aprendem as Crianças - Ensino Doméstico


Durante estes dias em que as crianças foram passar uns dias com os avós fiquei liberta para poder, finalmente, ler a pilha de livros que tenho na minha mesa de cabeceira. Embora acredite que a experiência do dia a dia a educar 3 crianças, brevemente 4, me ensina muita coisa, tenho sempre vontade de ler mais sobre aquilo que acredito ser a educação livre. É como se procurasse uma espécie de confirmação daquilo que venho constatando ao longo destes 3 anos em Ensino Doméstico e muitas vezes é apenas uma busca de inspiração. 
Neste momento estou embrenhada no livro "Dificuldades em Aprender" do John Holt, cujo título em português é, quanto a mim, uma péssima tradução do original "How Children Fail". Digo má tradução porque o livro fala justamente daquilo que faz com que as crianças falhem a determinada altura do seu percurso escolar e essa falha não tem nada a ver com dificuldades em aprender, mas sim, na forma como os adultos, erradamente, as tentam ensinar. A culpa das dificuldades das crianças é nossa, por muito que nos custe aceitar tal facto. As crianças falham, claro, como todo o ser humano de resto, mas as dificuldades, ou aquilo a que nós educadores chamamos de dificuldades, são criadas por nós quando achamos que temos que lhes ensinar seja o que for. E muitas vezes achamos que temos que lhes ensinar determinada coisa apenas porque determinámos que lhes vai fazer falta e nunca esperamos que eles sintam essa necessidade. Nenhuma criança, e quanto a mim, nenhum ser humano, aprende algo que não seja o que quer aprender. Por muito que despejemos conteúdos e conceitos na cabeça de alguém, esse alguém só verá neles utilidade se for isso que necessita naquele momento. Por isso, se queremos ver as crianças no seu melhor, curiosas, sonhadoras, devíamos ir ao encontro das suas  necessidades, dos seus interesses, dos seus sonhos. 
Neste livro, a certa altura, o autor dá-nos uma lista de 4 coisas que devemos ter em mente quando acompanhamos as crianças no seu dia a dia de desenvolvimento das suas capacidades e conhecimentos:

     1: as crianças não precisam de ser ensinadas para aprenderem e aprenderão mais e provavelmente melhor sem serem ensinadas.
     2: as crianças estão profundamente interessadas no mundo dos adultos e no que nele se passa.
     3: as crianças aprendem melhor quando as coisas que aprendem estão integradas num contexto de vida real e fazem parte do que George Dennison, no seu livro The Lives of Children, chamou "a experiência contínua"
     4: as crianças aprendem melhor quando a sua aprendizagem está relacionada com um objetivo imediato e sério.

É nisto que eu acredito com toda a convicção. Se é fácil por em prática quando temos metas curriculares para cumprir e datas de exames a aproximarem-se? Não! Mas não é para ser fácil, é para ser apaixonante, é para ser verdadeiro, e isso depende apenas de nós pais e educadores, se queremos esperar pelas crianças e vê-las crescer saudáveis e felizes, ou se queremos o sucesso imediato a qualquer custo. 

terça-feira, 24 de março de 2015

Lavatórios, Icebergs e Filmes - Ensino Doméstico


Hoje de manhã, na casa de banho, o pequeno Simão perguntou para que serve aquela ranhura do lavatório que fica por baixo da torneira. Depois da explicação teórica, enchemos o lavatório com água até começar a sair pela ranhura e fui-lhe fazendo perguntas. Se sair mais água pela torneira do que aquela que sai pela ranhura o que acontece à água do lavatório? E se for ao contrário, o que acontece? O Simão foi respondendo e percebendo a relação entre a quantidade de água que entra e a que sai dependendo do fluxo em cada lado. Com uma taça de plástico, o Simão fez um barco e tentou fazer outro com um copo e percebeu que a taça fica a boiar, mas que o copo vai ao fundo "porque o copo é mais magro", segundo ele. Depois disse que a taça, se ficasse cheia de água ía ao fundo como o Titanic. Aí começaram as minhas perguntas:

- Porque é que o Titanic foi ao fundo?
- Porque bateu numa rocha gigante.
- Numa rocha?
- Numa rocha de gelo. Numa montanha de gelo.
- Como se chamam essas montanhas de gelo?
- Iceberg.
- E algumas pessoas no barco morreram como?
- De frio
- Que se chama hipotermia
- Pois. Hipotermia. O coração começa a bater muito devagar e depois para.

Como já tinhamos visto este filme há uns meses achei interressante como a informação mais importante ficou retida na cabeça do nosso Simão que ainda nem fez 5 anos. Mais uma vez me apercebi de como as crianças aprendem com tanta facilidade e prazer quando o tema lhes interessa e a forma é lúdica. E com isto posso demonstrar como para nós, cá em casa, os filmes são uma ferramenta de trabalho importantítissima.

Estas foram algumas das perguntas que ficaram na cabeça dos mais pequenos depois do filme e para as quais procurámos respostas:

- Como se morre de hipotermia e porquê. 
- Com é que um iceberg consegue estragar um barco tão grande.
- Porque é que as pessoas morriam com a queda do barco, com o impacto.
- Porque é que os ricos e os pobres viajavam em zonas diferentes do barco.
- Porque é que algumas pessoas ajudavam os outros e outras nem por isso.
- Porque é que na viagem entre Southampton e Nova Iorque foram para águas tão geladas? 

Durante a nossa pesquisa sobre a hipotermia descobrimos este video alucinante sobre um Britânico que mergulha e nada em águas geladas. Este vídeo levou-nos para além da hipotermia, para o tema do aquecimento global no Planeta. Mais um tema a explorar. Só falta encontrar um filme à altura!!