quarta-feira, 4 de abril de 2018

Hoje termino o meu Dia com o Coração Cheio



Gosto quando chego ao final de um dia e há vestígios de criatividade espalhados pela casa, quando há recortes e lápis de cor, tesouras, pedaços de lã, puzzles, restos de comida e garrafas que são parte do meu trabalho. Gosto da sensação de dia cheio e planos concretizados, mesmo quando tenho as camas por fazer, a roupa por estender, brinquedos espalhados e o jantar vai ser uma sopa e restos do dia anterior.
No final, é para isso que aqui ando, a dar as ferramentas, o meu tempo e dedicação para que cada um descubra o que lhe dá prazer fazer e o faça sem limites ou regras e possa inventar o que lhe apetecer a cada momento dos seus dias. 
Hoje termino o meu dia com o coração cheio!!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Homeschooling e o Verdadeiro Problema da Socialização 

Quando dizemos que não vamos à escola, que somos homeschoolers, surge sempre a pergunta, aquela pergunta que nos deixa os pelos no ar, nos faz suspirar e revirar os olhos: “ah, mas então e a socialização?''Não vou aqui falar do que acho que acontece com a socialização nas escolas, nem vou falar da experiência das outras famílias homeschoolers, até porque cada família tem a sua própria forma de estar e de funcionar e não há duas famílias iguais no que diz respeito ao Homeschooling e por isso vou apenas falar da minha experiência pessoal e familiar.

Eu gosto de estar em casa e gosto de trabalhar em casa e nunca sinto tédio quando estou na minha casa. Mesmo tirando todas as tarefas domésticas que são imensas, gosto de tricotar, de cuidar da horta, de brincar com Lego, de ler para mim e para as crianças, de aprender coisas novas, ouvir música, ver filmes e escrever no blogue. Preciso de mais tempo sozinha do que a maioria das pessoas e depois de um dia intenso com muita gente preciso de tempo para mim.

Mas os meus filhos não são assim!!! Para eles, todos os dias são dia de ter amigos por perto e a primeira coisa que perguntam quando acordam de manhã é com quem é que vão estar nesse dia. E estão com amigos quase todos os dias, se não mesmo todos os dias. Já nem falo nas pessoas que vivem na nossa aldeia e com quem eles se cruzam e conversam todos os dias, falo de crianças da idade deles que parece ser aquilo que preocupa tanto as outras pessoas. Os meus filhos não vão à escola mas têm muitos amigos que vão e esses amigos batem-nos à porta quase todos os dias depois da escola para brincar. Para além disso, há o futebol e a ginástica e os dias em que estão com os outros homeschoolers. Já para não falar nos dias que se prolongam pela noite dentro quando os amigos cá ficam a dormir ou eles vão dormir a casa dos amigos.

A socialização dos meus filhos é tanta, que eu, para me proteger e sobreviver, tive que estipular dois dias na semana em que não há amigos, em que somos só nós, em que há tempo para estarmos uns com os outros em família, fazermos coisas juntos e também individualmente. Tempo para projectos pessoais, para lerem, para criarem.

A nossa sociedade preocupa-se tanto com a socialização de todos que se esqueceu do que é e como é estar-se sozinho. É tão importante termos amigos como sabermos estar sozinhos a fazer coisas só para nós, que nos dão prazer.

Gosto muito que no meio destes dias agitados e cheios de amigos e companheirismo, de aventuras ao ar livre e brincadeiras em grupo, também haja espaço para ensinar aos meus filhos a arte de estarmos sozinhos. Arte que eu muito aprecio, mas tão escassa nos dias de hoje.

Por isso, no meio de tanta vida social, muitas vezes anseio por dias de chuva para poder não sair de casa, porque de facto nós temos problemas com a socialização, mas não aqueles que todos pensam que temos!!


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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Pião Caseiro para Rodar e Rodar





As segundas feiras são mesmo dias de ficar em casa a inventar coisas para fazer com as crianças e tentar trabalhar um bocadinho. Normalmente aproveitamos os dias de sol para brincadeiras no quintal, com patins, com pistas de carros, com buracos de lama, enquanto metabolizamos um pouco de vitamina D. Mas nos dias de frio e chuva temos mesmo que inventar coisas para fazer dentro de casa. 
Hoje, as crianças acordaram com vontade de brincar com piões, mas todos os nossos piões estavam partidos ou desaparecidos, então fomos pesquisar como fazer um pião em casa. Encontrámos este vídeo muito simples e realmente fácil de seguir e com algumas alterações fizemos os nossos piões. 
Usámos tampas de pacotes de leite vegetal, fita adesiva para as unir, furámos as tampas usando um prego e os pauzinhos para o pião rodopiar eram pincéis finos que cortámos para usar o lado que não tem pelos. Não foi preciso usar cola nem berbequim e também não construímos os lançadores porque as crianças não quiseram.
Foi divertido e os piões funcionam na perfeição!! 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Bolo de Requeijão pelo Simão 



Têm sido tempos atribulados desde que o Matias nasceu. Para mim e para todos cá em casa. Às vezes, bastantes vezes, ouço aquela frase que não quero ouvir, que estou mais tempo com o Matias do que com qualquer outro dos elementos da família. É verdade! Ele absorve todo o meu tempo e atenção e os outros sentem isso.
Tenho vindo a tentar recuperar as coisas que costumava fazer com eles em casa antes de sermos uma família de 6. Tenho saudades dessas coisas, embora não tenha saudades de sermos apenas 5. Ter um bebé em casa quando também já se tem adolescentes é duro. Todos eles, com diferença de 4 ou 5 anos entre eles, têm necessidades totalmente diferentes e eu não consigo estar à altura de todas as solicitações e ainda trabalhar a partir de casa, escrever no blogue e namorar. 
Hoje, a pedido do Simão, resolvi voltar à cozinha com as crianças e fizemos um bolo para o lanche deles. No meio da confusão esqueci-me de por o fermento por isso não sei muito bem o que vai sair dali do forno.
Aos poucos vou recuperando as coisas que gostávamos de fazer juntos. Aos poucos!!
Ingredientes e receita: 1 requeijão de 250gr, 6 ovos, 125gr açúcar, 80gr óleo de coco, 125gr farinha de espelta e 1 colher de chá de fermento para bolos.
Bater as claras em castelo e reservar. Bater o requeijão com as gemas e o açúcar, juntar o óleo de coco e bater, juntar a farinha e o fermento e bater. No final, quanto estiver um creme homogéneo, juntar as claras e envolver. Deitar tudo numa forma de silicone e levar ao forno a 180°C durante cerca de 25 minutos.
Bom apetite!!





segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A Chegada de Mais um Outono na Serra de Sintra

Os bugalhos são aquelas bolinhas tão engraçadas que aparecem penduradas nos ramos dos carvalhos. Quando uns certos bichinhos da família das vespas picam o tronco de um carvalho e lá depositam os seus ovos, a árvore desenvolve uma bola onde vai crescer a larva que dará origem ao insecto. Quando o bichinho está pronto para voar, fura o bugalho e vai à sua vida, deixando para trás aquelas bolinhas engraçadas com um buraquinho.


Adoramos passear pela Serra no Outono, sentir como o ar está diferente e os cheiros são outros, brincar com a terra, apanhar frutos, observar como os fetos já secaram e largaram os esporos, procurar pelos bugalhos. 
Adoro passear com eles e ver como gostam de explorar, como fazem perguntas e já reconhecem a flora local e sabem o que se come e o que é só para olhar. Como percebem que há plantas que dão flor e outras que não e que por isso têm formas de reprodução diferentes. 
Adoro sentar-me a fazer tricô e vê-los e ouvi-los com os paus nas mãos, sempre com os paus nas mãos, a correrem pelo bosque e a subirem aos blocos de granito já tão familiares que não escondem dificuldades.
Sinto que para o Lourenço talvez sejam as últimas brincadeiras destas, já procura outros interesses, sinto-o a crescer a uma velocidade assustadora, a explorar o mundo e a vida de outras formas que já não são tão de criança e só desejo estar à altura deste desafio...






quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sobre o Homeschooling, o Referendo na Catalunha e Sobre a Liberdade!!!

 

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 Sigo este blogue há já muitos anos, tantos quantos tenho de homeschooler, porque foi das primeiras pessoas que conheci a fazerem Ensino Doméstico quando andei a pesquisar sobre o tema, ainda a nossa filha Madalena andava na escola. 
Embora até nem tenhamos muito em comum na forma como praticamos homescholing, sempre respeitei e admirei esta mãe, mais que não fosse pelo facto de fazer Ensino Doméstico num país onde é proibido. Não sei como o faz, mas sei que é preciso "ter tomates" para seguir o coração e fazer aquilo que se acredita estar certo, mesmo contra a lei, mesmo contra um governo.
Sigo esta família e o seu percurso "escolar" há tantos anos, que quando li este texto achei que o deveria partilhar. 
Sobre o homeschooling ou Ensino Doméstico, sobre o referendo na Catalunha, sobre a liberdade!!!


''Hoy no me puedo callar.
Suelo ser bastante a-política y algunos pensarán que esta entrada no pinta nada en un blog de homeschooling, pero yo creo que justamente sí que tiene mucho que ver y además, creo que hoy no se puede callar después de lo que hemos vivido ayer.
Yo no soy Catalana, pero ayer me hubiera gustado ser Catalana para poder votar. Si hubiera votado Sí o NO, no tiene ni la menor importancia. Lo que es importante, es que hubiera votado como hicieron los otros miembros de mi familia que ya podían votar. Para mi hijo mayor era la primera vez que podía votar y era escandaloso de que ha tenido que votar en un ambiente donde parecía que votar era un delito, era "ilegal". Y allí viene mi conexión con el homeschooling. Los homeschoolers no nos da miedo lo ilegal porque somos capaces de mirar más allá de las leyes. Las leyes cambian, la sociedad cambia, las personas cambian..... Las leyes están hechas por personas y no por dioses que parece que algunos se equivocan y piensan que están hecho por algún poder superior a nosotros. No entiendo el argumento de que el referendum en Catalunya era "ilegal".
Y aún en el supuesto de que hubiera sido ilegal, me importa un bledo.
No íbamos a pegar a nadie, no íbamos a pegar a un herido de camino a un ambulancia, no íbamos a arrastrar violentamente a un observador internacional, no íbamos a pegar con una porra a un anciano, no íbamos a tirar a la gente de los pelos, no íbamos a dejar a la gente casi desnuda, no íbamos a saltar desde una altura encima de la gente, no íbamos a tirar pelotas de goma o gas lacrimógeno, ...... íbamos a VOTAR. El homeschooling en España es ilegal. ¿Y?
Todos los homeschoolers en España estamos haciendo algo ilegal. Yo llevo 10 años haciendo algo ilegal, no me vendrá ahora de un día más.
¿Desde cuando el argumento "ilegal" significa lo mismo que "justo", "lógico", "de sentido común", "avanzado", "moderno", "del siglo XXI".......?
Hubo un tiempo en que era ilegal que votaran las mujeres. Hay países donde lapidar a las mujeres es legal. Hasta la semana pasada era ilegal que las mujeres conducían su coche en Saudi Arabia..... Los ejemplos de ilegalidades o legalidades directamente estúpidos son interminables.
El referendum de ayer puede haber sido todo lo ilegal o legal que quiera cada uno, pero a ver si somos capaces de mirar más allá de la legalidad. A ver si somos capaces de diferenciar mentira de verdad. A ver si somos capaces de diferenciar violencia de pacífico, diferenciar justicia de injusticia, brutalidad de defensa propia. Dicho esto quiero hacer otra reflexión relacionado directamente con el homeschooling. En la política no hay ningún santo y ningún monstruo. Aunque si ayer hubiera que apuntar a algún monstruo sería directamente al gobierno Español. Pero como homeschooler he ido a reuniones con partidos políticos en Catalunya y muchos se han escondido detrás de la excusa "es que no nos dejan desde Madrid". Les pregunto ahora al gobierno de Catalunya ¿Somos valientes o no lo somos? ¿Somos solamente valientes para lo que nos interesa o somos valientes para todo lo que sea injusto? Y curiosamente uno de los únicos partidos que siempre nos ha apoyado en el homeschooling en Catalunya es justamente el PP. Yo misma hice una reunión con ellos. No porque mi gustan pero porque queremos hablar con todos. Lamentable que un partido que yo hoy con toda mi firmeza acuso de fascista y represor sea de los pocos que apoyan al homeschooling. En el problema Catalán no hay nadie libre de culpa, no soy ciega.
Pero hay que ser capaz de ponerlo todo en la balanza y mirar hacia donde inclina.
No sé si vendrá o no el estado independiente de Catalunya, pero si viene, espero que sean lo suficientemente valientes para ya de una vez legalizar el homeschooling porque si no lo hacen, en mis ojos su lucha legítima de estos años habrá perdido parte de su credibilidad.''

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Porque as Crianças Aprendem Brincando

O verão chegou finalmente a Sintra e temos aproveitado os dias de calor e de sol para ir à praia que nesta altura do ano já voltou a ser só nossa. Para o pequeno Matias, brincar à beira mar, ou neste caso à beira rio, tem sido uma descoberta incrível.
Quando as crianças brincam livremente sem qualquer interferência ou controle por parte dos adultos, aquilo que observamos neles é o que de mais ancestral têm dentro de si.. As corridas com lanças e espadas nas mãos, atirar areia uns aos outros, fazer esconderijos e abrigos, fazer comida, cuidar dos bebés, brincar na água, subir às árvores e às rochas, saltar de muros altos, pescar, tudo isto está na nossa natureza humana e as crianças buscam essas brincadeiras de uma forma muito inata.
É engraçado como basta alguns momentos a observá-los para encontrarmos tantas características da nossa ancestralidade nas brincadeiras que escolhem todos os dias. É com essas brincadeiras que aprendem a gerir conflitos, a trabalhar em equipa, ou pelo contrário, a superar dificuldades sozinhos, a compreender o seu próprio corpo e suas limitações, a perceber a natureza e como podem fazer parte dela respeitando-a.
Quando os sentamos numa cadeira dentro de quatro paredes horas a fio e os obrigamos a ficar calados a ouvir outra pessoa a falar, ou lhes impomos o que devem aprender e como o fazer, estamos a ir contra a sua natureza humana e a retirar-lhes todo o potencial criativo e de aprendizagem de si próprios e do mundo. Está nas nossas mãos incentivar e preservar esse potencial, porque as crianças aprendem brincando.