quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Almoçageme, a Nossa Aldeia

O Lourenço andou a fazer mandalas olho de deus para vender, e no sábado de manhã foi comprar pão com chouriço na feirinha de Almoçageme com o dinheiro que ganhou. Era cedo e a senhora do pão com chouriço ainda não tinha pães feitos nem o forno pronto, mas como o Lourenço gosta sempre de uma conversa, perguntou se podia lá ficar com ela, a ajudar e a conversar até os pães estarem prontos. No final comprou os 2 pães, um para ele e outro para o Simão e a senhora fez de propósito para ele mini pães com chouriço que lhe ofereceu. 
É por estas coisas que gostamos tanto desta aldeia.

                                        

                                       

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Porque a Nossa Vida é Aprender

Numa altura em que muitos parecem tão preocupados com rankings e notas até fico sem palavras para descrever o que sinto em relação a esse assunto. Assim de repente, a única coisa que me apetece dizer, copiando as palavras de alguém, é que esse tema é puro entretenimento para acéfalos! 
E como as ideias se me enrolam na cabeça, resolvi deixar aqui as palavras que um "Radical Unschool Dad" partilhou na sua página de facebook com o nome "The Unschool Dad". Estas palavras, que não são minhas, apenas as traduzi, refletem exatamente aquilo que eu penso da vida e do ensino e da educação que quero dar aos meus filhos. E é isto!!!

"A vida é a nossa escola, é assim que aprendemos. Não começámos no jardim de infância e não vamos acabar no dia em que tivermos um canudo na mão a dizer que estamos aptos para ter um emprego. Não aprendemos apenas durante alguns meses do ano, nem temos um edifício para esse fim, nem livros que dividem a vida em capítulos e disciplinas. Não temos cadernos que separam a história, da arte, da ciência e da brincadeira. Existem palavras que não fazemos ideia de como se escrevem e equações que não sabemos resolver. Respondemos às nossas perguntas com mais perguntas e não estamos preocupados com notas ou com impressionar os outros com o que sabemos. Não vivemos numa competição que põe crianças contra crianças, adultos contra crianças e adultos contra adultos. E não temos pressa nenhuma para chegar ao fim de uma qualquer estranha corrida, pois para nós não existe corrida nem existe fim. Não precisamos de férias de inverno, ou de primavera, ou de verão porque a nossa vida é aprender."
Unschool Unleashed






















segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Inspirações à hora do banho

Confesso que estes poucos meses de vida partilhada com uma adolescente, dois rapazes convencidos que nasceram para ser super heróis e um bebé que faz tudo para nos mostrar que não vale a pena criar expectativas em relação a absolutamente nada, têm sido uma verdadeira aventura. Muitos dos dias sinto que se adormecesse de repente e ninguém me acordasse, era capaz de dormir até à primavera. Entre garrafinhas de leite chamados biberons, fraldas a transbordar de cáca, um Matias que acha que essa coisa de panos porta bebés, mandukas, slings e afins foram feitos apenas para os outros bebés e um Simão que se lembrou de repente que tem que me mostrar todos os dias como a minha vida poderia ser muito mais fácil se me tivesse ficado pelo terceiro filho, sobram poucos minutos do dia para me dedicar aos jogos e histórias que eles tanto gostam.
Hoje de manhã, enquanto dava uma escapadinha rápida e nestes dias rara para dentro da banheira aproveitando uma soneca hiper mega curta do Matias, os super heróis ficaram na sala a inventar desenhos. Às tantas, irromperam pela banheira dentro com folhas nas mãos e com as caras mais felizes do mundo dizendo que tinham construido uma torre com frascos que estavam em cima da mesa que lhes tinha mesmo parecido uma torre de guerra tipo cavalo de tróia e que por isso a puseram em papel. Já não os via desenhar desde o início do verão, mas hoje foi isto que lhes saiu das mãos.
Mais uma bela manhã na terra do unschooling. 




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pequeno Grande Matias



Foi na noite de 24 de julho que o pequeno Matias começou a sua viagem para este mundo. Passei o dia cansada, sem energia, só me apetecia dormir. Há já umas duas semanas que me sentia muito cansada, mas aquele dia foi diferente. Depois de jantar fui deitar-me porque já não aguentava estar em pé. Tinha muitas contrações, que embora não fossem dolorosas já me indicavam que estava em trabalho de parto. Ainda me levantei para contar uma história aos dois rapazes antes de adormecerem como é nosso hábito, mas quando já todos dormiam, incluindo o pai, as contrações começaram a apertar e por volta da meia noite e meia saímos de casa para o hospital.
Chegámos ao hospital de cascais por volta da uma da manhã. Triagem!
Enfermeira a fazer perguntas! Eu, contrações dolorosas e seguidas! Queria "observar-me" porque podia não estar em trabalho de parto. Recusei, dizendo que sabia que estava, que era o meu quarto filho. Não há internamento sem ser "observada", respondeu! O olhar do Zé para mim, cúmplice! Respondeu-lhe que nesse caso íamos sair dali e esperar que o Matias nascesse! Enfermeira pergunta se eu aceitava fazer CTG! Aceitei! Entrei! O pai teve que ficar cá fora porque só poderia entrar depois de eu ser internada! Nunca fui internada! O pai nunca entrou!
CTG! Pedi para ficar de pé! Olhares aborrecidos e suspiros! Contrações seguidas, sem intervalos. Saí do CTG! Enfermeira e médico a fazer perguntas! Enfermeira a impingir epidural! Recusei! Eu em pé a respirar de olhos fechados! Enfermeira a chamar-me irresponsável por não aceitar o "toque"! Médico sentado a contar semanas num calendário! Palavras nos meus ouvidos para me sentar! Eu só queria estar em pé! Era impossível sentar-me com tantas dores! Respirava de olhos fechados! Enfermeira encostada à parede a brincar com o telemóvel! Médico a fazer perguntas! Sentei-me! Quantas semanas? Fez todas as análises? Quem era o seu médico? Data da última mesnstruação?  Porque não fez a primeira ecografia? Porque não fez amniocentese? Levantei-me! Bolsa rebentou aos pés do médico que nem se mexeu, só olhou com ar enojado! Enfermeira fugiu da sala e resmungou! Senti a cabeça do Matias sair! Gritei-lhes que ele ía nascer! Riram-se de mim! Médico a dizer para me deitar para me "observar"! Recusei! Disse-lhe que queria parir de cócoras! Gritos! Que não podia ser! Médico agarrou-me no braço a dizer que era ele quem mandava ali e que tinha que me deitar de barriga para cima e pernas abertas! Recusei! Médico abandonou a sala e nunca mais o vi até hoje! Gritei que o Matias estava com a cabeça de fora! Risos! Alguém me despiu as calças e as cuecas e gritou que se via a cabeça do bebé! Gritos! Corridas pelos corredores! Gritos! Eu, perdida, no meio dos gritos! Subi para a cama! De lado! Continuavam todos a gritar, menos eu! Eu respirava e sentia o ardor da pele e do músculo que rasgaram! Respirava! Pedi ajuda! Gritaram para me deitar e eu gritei que não! Gritaram que enquanto não me deitasse não me faziam o parto! E não fizeram! Coloquei-me de joelhos em cima da cama e o Matias saiu! Parteira a gritar que não o conseguia agarrar naquela posição! Eu gritei-lhe que conseguia! Ela rodou-o e ele nasceu! Apanhei-o de cima da cama! Abracei-o! Eram 2h29m do dia 25 de julho. Só depois o pai entrou!
Chorei durante dois dias depois do parto sempre que me lembrava de como tinha sido, de como me senti perdida e sem apoio de ninguém. Depois, com o passar dos dias percebi como foi catártico! Foi o que tinha que ser! Foi exatamente como eu queria que fosse, sem interferências de ninguém. Sem soros, sem ocitocina, sem epidural, sem nada, natural! Foi libertador! Só senti falta de uma mão amiga, de um abraço que me ajudasse a suportar as dores, de uma palavra a dizer que estava tudo bem, do homem que amo e que é pai dos meus filhos a dar-me a mão. Só! Esse "só" é tudo o que nós mulheres precisamos para ter um parto humanizado. Quando tudo está bem, quando não há complicações, não precisamos de mais nada! Eu não tive isso porque quis um caminho diferente daquele que a equipa médica tinha à minha espera. O meu parto foi uma luta que espero que abra caminho para partos mais humanizados. Não o fiz por essa razão. Fi-lo porque sou teimosa e meti na cabeça que era assim que queria parir. Mas agora, dois meses passsados, espero que as nossa luta por um parto mais humanizado abra o caminho para a próxima geração das nossas filhas e noras! Para que elas possam parir em paz! E para que os homens possam fazer parte desse processo como se nunca tivesse sido de outra forma! 
Parabéns Matias! Espero que venhas a ser um desses homens!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Wolf Children e a Liberdade de Escolher

Resultado de imagem para wolf children

Com o tempo acho que contagiei os meus filhos com o vício dos filmes de animação japoneses. Andam sempre à procura de algum que ainda não tenhamos visto e no meio de muitos que até nem interessam assim tanto, descobrimos verdadeiras obras de arte que nos marcam e que vemos vezes sem conta.
Um desses filmes chama-se wolf children e lembrei-me dele porque tem a ver com aquilo que queria aqui falar hoje, com as escolhas que os nossos filhos fazem ao longo das suas vidas e que nem sempre são aquelas que gostaríamos que fizessem, mas que ainda assim nos deveriam deixar felizes pelo simples facto de mostrarem que eles têm capacidade de as fazer. 
Quando falo de escolhas, falo de coisas do dia a dia que nós adultos temos dificuldade em aceitar, mas que para eles são importantes, lhes constroem a autoestima e são um treino para futuras escolhas mais complexas e importantes nas suas vidas. É como treinar com pesos pequenos para que um dia consigam treinar com pesos bem grandes. Porque crianças que aprendam a fazer escolhas em pequenas, mesmo errando, serão capazes de fazer escolhas mais complexas quando forem adultas. 
Para nós, enquanto família em Ensino Doméstico, fez parte de todo o processo aprender a aceitar as escolhas dos nossos filhos tentando não os controlar. Esta noção que temos de que podemos controlar tudo o que eles fazem é uma ilusão que só nos leva a guerras e desilusões. E a desilusão só acontece porque criámos expectativas, porque estamos à espera que eles sejam algo que não são mas que nós imaginámos que fossem ou queríamos que fossem.
Para nós, tomarmos consciência de que ao tentarmos controlar os nossos filhos só estávamos a distanciar-nos deles, fez-nos perceber que seriamos todos muito mais felizes se lhes déssemos hipótese de escolher nas coisas que lhes dizem respeito. E rapidamente chegámos a um ponto em que a nossa convivência é pacífica, em que nos entendemos e nos sentimos ligados, conseguindo comunicar sem segredos, podendo falar de tudo porque respeitamos as opiniões uns dos outros. 
Coisas como a roupa que querem vestir, se querem andar calçados ou descalços, o que comem e quando comem, se bebem água, se cortam o cabelo e como o cortam, se querem tomar banho, se querem ou não dormir, se querem ir passar uns dias a casa dos avós, se querem dar beijinhos às outras pessoas, como gastam o seu dinheiro, são decisões inteiramente deles. 
Claro que ao crescerem as decisões serão também elas mais complexas e algumas podem ir completamente contra aquilo em que acreditamos ou o caminho que queremos fazer, mas não deixam de ser as suas escolhas. Quando a nossa filha Madalena decidiu ir para a escola, foi uma decisão difícil para mim, talvez também para o pai, mas mais para mim. Queria dar-lhe essa liberdade, mas ao mesmo tempo não queria que ela fizesse essa escolha. Vejo todos os dias que a escola não é um lugar onde se aprenda alguma coisa de útil, onde se conheçam muitas pessoas interessantes, mas tive que aprender a viver com essa sua decisão. Se foi esse o caminho que escolheu e se encontrou o que procurava, então só posso ficar feliz por ela. Confesso que não tem sido fácil para mim aceitar isto, tem sido uma luta interior diária, há dias em que quase parece que desisti dela porque deixei de lutar por aquilo que acreditava ser o melhor para ela, mas depois penso que é o seu caminho e não o meu. Só poderei encontrar paz na minha relação com ela se aceitar que ela é capaz de tomar decisões sozinha, de escolher o seu caminho. E os nossos filhos serão sempre perfeitos se aprendermos a não ter qualquer tipo de expectativas em relação a eles, se aprendermos a aceitá-los exactamente como eles são. E não digo que seja fácil, para mim não foi nem está a ser, mas se quiser escolher o amor e o respeito dos meus filhos terei que ser capaz de os deixar viver as suas vidas. É um trabalho que terei que fazer todos os dias, mas acredito que vou conseguir lá chegar. 
  

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Barquinhos com Rolhas - Ensino Doméstico



Vimos uns barquinhos muito giros num site que já não me lembro qual era e os miúdos pediram para fazer. Já navegaram, já se desfizeram, mas deram origem a momentos divertidos.
Podem experimentar fazer com as vossas crianças.

Material para cada barco:
3 rolhas de cortiça
2 elásticos pequenos
1 palito para a vela
1 quadrado de papel para fazer de vela
tinta para pintar os barcos

Primeiro colámos as rolhas umas às outras porque percebemos que a do meio saltava para cima se colocássemos apenas os elásticos. Já aprendemos qualquer coisa com isto!!! :)
Depois espetámos o palito que iria servir de mastro.
Pintámos os barcos usando aguarelas que saíram na primeira viagem transaltlântica, claro! Se quiserem que a pintura dure mais tempo usem outro tipo de tinta que não saia com água. Nós só usamos tintas à base de água.
Depois dos barquinhos estarem pintados e secos, já podem colocar a vela e os elásticos e  levá-los a navegar.
Nós adorámos e divertimo-nos...





domingo, 17 de maio de 2015

Gelado Manga/Banana



Conseguem imaginar um gelado que os vossos filhos possam comer ao pequeno almoço? Pois aqui têm, e sem remorsos. Com apenas três ingredientes e sem açúcar, conseguem um gelado delicioso e cremosos a qualquer hora do dia. Só têm que congelar a fruta com alguma antecedência e em 5 minutos está feito! E não há nada melhor para uma mãe do que ver as suas crias a comer fruta com um belo sorriso nos lábios. 


Ingredientes:
1 manga 
3 bananas médias
1 pacote de natas de coco (vegan)



Cortar a manga e as bananas em pequenos pedaços e congelar. 
Depois de terem a fruta congelada, que dá cerca de 600g, colocar no copo da bimby e programar 2MIN/VEL9.


Colocar a borboleta, deitar as natas e programar 3MIN/VEL3.
Comer de imediato ou colocar no congelador em doses individuais.
Se ficar muito duro depois de congelado, pode colocar-se na bimby e voltar a programar 3MIN/VEL3 durante 2 minutos.
Bom apetite!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Gelado de Morango e Banana





Ontem fizemos gelado e foi um sucesso tão grande que resolvi dar-vos a receita. Já tinha feito outras vezes apenas com morangos, mas não ficava suficientemente doce para o paladar dos mais pequenos, nem para o meu. Tinha que pôr sempre algum açúcar ou outro adoçante e andava à procura de receitas que não precisassem. Encontrei uma receita numa página de facebook que já não me lembro qual era que dizia que o truque era colocar bastante banana para adoçar. Experimentei, e de facto faz toda a diferença. Assim, aqui fica a receita:

Ingredientes:
400g morangos
2 bananas grandes
1 clara de ovo

Lavar os morangos e cortá-los ao meio, descascar as bananas e cortá-las em pedaços pequenos, colocar tudo dentro de um saco e congelar. Quando a fruta estiver congelada, deitar tudo dentro do copo da bimby e triturar durante 1MIN/VEL9. 
Colocar a borboleta, deitar a clara de ovo e programar 3MIN/VEL3.
Servir imediatamente ou congelar em copos individuais.
Os nossos congeladores deixam os gelados muito duros e os miúdos não costumam gostar, por isso aconselho a retirar do congelador cerca de 20 minutos antes de comer, ou voltar a colocar na bimby com a borboleta na VEL3 até voltar a ter a consistência cremosa.
Bom apetite!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Este Momento #48



{este momento} - Um ritual de Sexta-feira. Uma simples foto, sem palavras, capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero parar, saborear e recordar.
A primeira vez que vi esta ideia foi no blogue A Horta Encantada e achei fantástica. Tenho fotos aqui guardadas que não sabia o que lhes fazer, mas gosto delas por serem momentos especiais cá de casa. Quem as vir, não vai sempre entendê-las, mas para mim são especiais.

A ideia original saiu do blogue soule mama.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Attachment ou Conexão




Ao longo destes quase 13 anos de parentalidade e a caminho do 4º filho, sei que não sou a mesma mãe que era quando nasceu a Madalena. Tenho vindo a aprender muita coisa com eles e com os erros que vou fazendo, mas ultimamente a minha busca é mesmo a da conexão. Quero crescer com eles, conectada a eles, sem os perder pelo caminho como muitos pais se queixam. Até agora tem sido possível, tem funcionado, mas digo-vos de coração aberto que dá muito trabalho, muito mesmo. É preciso estar sempre lá, mesmo quando achamos que já não aguentamos nem mais um segundo, mesmo quando temos que olhar para dentro de nós e encontramos o pior que lá temos. É preciso aprendermos a perdoar-nos, a tirar aquele peso de cima, mas sempre, sempre, sem perder a conexão com o outro.

Como diz a Naomi Aldort no seu livro "Taking the struggle out of parenting", em muitas situações do dia a dia é mesmo preciso percebermos que o problema está em nós e naquilo que trazemos connosco ao longo da nossa experiência de vida. Aquilo que estamos a sentir em determinado momento, muitas vezes sentimentos negativos em relação à criança, nada têm a ver com ela, mas sim connosco e com o que estamos a sentir. Precisamos distanciar-nos dos nossos sentimentos, sairmos da nossa cabeça e sentirmos a criança e a sua necessidade e ao fazermos isso estamos a criar conexão com ela. Ao ouvi-la, ao percebermos a sua necessidade, ao respondermos a essa mesma necessidade com amor, com compaixão, estamos a amá-la incondicionalmente, a apoiá-la e a criar uma relação poderosa, afectuosa e baseada em amor.

Ontem fui à praia com o Lourenço e o Simão. Saímos sem saco da praia, sem toalhas, sem fatos de banho, sem água, sem comida, porque achávamos que íamos só um bocadinho e que o tempo nem estava grande coisa. Atravessámos o areal da praia da Adraga, arranjámos um cantinho para ficarmos e eu a preparar-me para descansar um pouco com o meu livro. Precisava mesmo daquele momento. Estava cansada, tão cansada!! Os rapazes acharam que estava calor para irem ao banho, mas não tinham fatos de banho. O Simão despiu-se todo e lá foi direito à água, mas o Lourenço ficou sentado ao meu lado a dizer-me que não queria ir todo nu, que queria ir a casa buscar os calções de banho. Disse-lhe que não me apetecia sair dali, que estava cansada, que só queria descansar um pouco e que se fosse a casa já não voltava. Ele respondeu quase a chorar que eu estava a ser egoísta, que noutras situações já tínhamos voltado a casa e que se fosse o meu fato de banho que eu quereria voltar. Mas eu não queria mesmo sair dali. Tinha que arrastar a minha gigantesca barriga pelo areal fora quando apenas me apetecia deitar-me e descansar. Ele continuou ao meu lado a queixar-se, a choramingar, e aquele barulho no meu cérebro a começar a irritar-me e eu a sentir a zanga a crescer dentro de mim. E quando já estava prestes a explodir e a dar-lhe um grito, lembrei-me da Naomi Aldort e do livro dela que tinha na mão. Então parei, respirei fundo, olhei o Lourenço nos olhos, saí da minha cabeça, distanciei-me de tudo o que estava a sentir e centrei-me nele e na sua necessidade. Fiquei ali uns segundos apenas a olhar para ele e a tentar perceber o que ele estaria a sentir, a tentar entrar nele e ele a perguntar-me porque não falava. Dentro da minha cabeça imaginei-me no corpo dele, na praia, pronto para um mergulho, sem fato de banho e cheio de vergonha de se despir à frente das outras pessoas. Imaginei-me no lugar do Lourenço, a ficar a torrar ao sol de calças vestidas apenas porque a minha mãe não me ajudava naquela situação que só ela tinha poder para resolver. Imaginei a tristeza e a frustração que ele estaria a sentir naquele momento quando a pessoa que ele mais ama no mundo, não o estava a respeitar nem a ajudar. E respondi-lhe que íamos a casa buscar o fato de banho. O Simão colaborou, vestiu-se, eu voltei a arrastar-me e à minha barriga pelo areal, fomos buscar o fato de banho, regressámos, e passámos uma maravilhosa tarde de praia todos juntos a brincar. Tive tempo para descansar e ainda brinquei com eles à beira mar.

Um acto de amor tão simples que pode tornar-se num momento de desconexão marcante e frustrante na vida dos nossos filhos. Se tivesse sido há 12 ou mesmo há 5 anos atrás, teria ficado na praia e diria que o Lourenço tinha feito uma birra por causa da porcaria de um fato de banho, que podia muito bem ter ido todo nu tomar banho e que ninguém iria reparar, mas como disse, não sou a mesma pessoa que era nessa altura. Felizmente! Neste momento sei que fiz bem, que quero que ele se recorde daquele dia de praia pelo bom que foi e não porque lhe neguei uma necessidade por causa de outra que era minha e só minha. 
Obrigada Naomi!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Este Momento #47



{este momento} - Um ritual de Sexta-feira. Uma simples foto, sem palavras, capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero parar, saborear e recordar.
A primeira vez que vi esta ideia foi no blogue A Horta Encantada e achei fantástica. Tenho fotos aqui guardadas que não sabia o que lhes fazer, mas gosto delas por serem momentos especiais cá de casa. Quem as vir, não vai sempre entendê-las, mas para mim são especiais.

A ideia original saiu do blogue soule mama.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Crepes com Matemática

Ontem fizemos crepes e comemos todos, não sobrou nem um, e também fizemos muitas contas com frações. Que parte do quilo são 200g? E 250g? E 10g, quantas vezes cabem dentro de 1 quilo? Estudámos o quilograma e as gramas e percebemos como funcionam as frações. Não falámos de conceitos como fração, nem numerador, nem denominador, nem divisão. Apenas os utilizámos na prática, no momento, quando foi preciso, e tentarei fazê-lo daqui para a frente como rotina, como forma de consolidar, encontrando situações no dia a dia para por em prática o uso das frações e talvez mais para a frente olhemos para as coisas de uma maneira mais formal. 

Quando os sinais que recebemos da criança são de confusão com conceitos, em vez de a afogarmos  neles, só temos que encontrar uma forma prática e informal de apresentar as coisas, de mostrar como funcionam no dia a dia e certificarmo-nos de que a criança consegue usá-las. Se o objetivo é perceber como funcionam as frações e para que servem, para quê complicar, com papéis e fichas inúteis que só vão criar aversão nas mentes dos mais pequenos? Claro que, de dia para dia, podemos aprofundar as questões, podemos dificultar os problemas, mas ainda de uma forma pouco conceptual. 

Sei que muitas pessoas consideram esta forma de aprender muito "no ar", muito pouco concreta, que acreditam que as crianças precisam de treino escrito e de fazer exercícios para consolidarem as coisas, mas para mim isso já deixou de fazer sentido há muito tempo. Depende das crianças, claro,  não há regras, é apenas seguir e respeitar a velocidade da criança e a sua vontade. Dá trabalho e puxa pela imaginação encontrar formas práticas de ensinar a matemática, de encontrar no dia a dia desculpas ou oportunidades para falar nas coisas, mas para mim é assim que faz sentido, é assim que as crianças aprendem sem criarem aversão. Acredito que chega uma altura em que podemos aprofundar as coisas de uma forma mais teórica, mas acredito também que as crianças nos dão sinais de quando o querem fazer e se estão preparadas para isso.

No meu caso pessoal é mais fácil fazer este exercício mental porque não sou matemática, não é um tema que domine com destreza a partir de certa altura, e por isso consigo facilmente colocar-me ao nível deles, pensar como eles e chegar a soluções práticas. É-me mais fácil colocar questões e perceber como eles chegam às soluções e depois seguir o seu raciocinio . Mas também revelo a minha dificuldade em aprofundar os temas quando chegamos a um nível mais avançado. Aí recorro mais aos livros, à teoria, confesso.







Agora, deixo-vos com a parte doce do dia de escola. A receita de crepes que nos levou às frações e às contas de dividir e que nos encheu a barriga e a alma.  

Crepes com tahini de cacau:
50g farinha de arroz
50g farinha de aveia
150g farinha de trigo
500g de leite de arroz
10g de azeite
1 pitada de sal
Tahini com cacau para barrar

Colocar todos os ingredientes numa taça e bater com a batedeira até ficar homogéneo. Para quem tem bimby, colocar todos os ingredientes no copo e programar 15SEG/VEL6.
Colocar uma frigideira untada com óleo ou azeite em lume alto e ir deitando pequenas porções. Quando as pontas do crepe começarem a ficar douradas, usar uma espátula para o virar e tostar do outro lado. No final, barrar com tahini de cacau.
Uma delícia!!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Este Momento #46



{este momento} - Um ritual de Sexta-feira. Uma simples foto, sem palavras, capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero parar, saborear e recordar.
A primeira vez que vi esta ideia foi no blogue A Horta Encantada e achei fantástica. Tenho fotos aqui guardadas que não sabia o que lhes fazer, mas gosto delas por serem momentos especiais cá de casa. Quem as vir, não vai sempre entendê-las, mas para mim são especiais.

A ideia original saiu do blogue soule mama.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Aventuras Fantásticas - Uns Livros Onde Cada Um Escolhe a Sua História

Há uns dias atrás falei aqui das crianças e da sua relação com os livros e também de como para nós aqui em casa não tem sido fácil encontrar livros que convençam o nosso Lourenço. Tenho tido uma postura muito descontraída perante isto, mas não quer dizer que tenha desistido de procurar livros que possam despertar o seu interesse. 
Tenho tentado todo o tipo de livros, todo mesmo, mas por vezes fico tão focada no problema que a solução me passa ao lado. Já disse muitas vezes que o Lourenço adora jogos e que os jogamos muitas vezes, mas nunca me tinha ocorrido essa solução dos livros jogados e só se fez luz no meu cérebro quando esbarrei com aquela prateleira da biblioteca cheia de lombadas verdes que me remeteram para a minha adolescência. 
Já nem me lembrava das horas que tinha passado agarrada àqueles livros munida de papel, lápis, borracha e dados, das horas que passei a lê-los, dos diferentes caminhos que experimentei, das batalhas que lutei, das aventuras que vivi. Pois bem, esta coleção tem sido um sucesso também para o Lourenço que se levanta de manhã e pergunta se podemos continuar a ler a sua aventura. 
Estamos no primeiro volume da coleção, "O Feiticeiro da Montanha de Fogo", e temos lido em conjunto. A linguagem nem sempre é fácil e por isso temos mantido esta parceria na leitura, mas tem sido muito bom ver o Lourenço a esforçar-se por ultrapassar obstáculos linguísticos com grande determinação e felicidade.
Espero que esta ideia possa ajudar alguns de vocês e que vos traga longas horas de aventura.

P.S. As fotos aqui publicadas foram retiradas da net. Queria ter tirado umas fotos ao livro que estamos a ler mas neste momento estou sem forma de o fazer. 




terça-feira, 7 de abril de 2015

As Crianças e a Relação com Os Livros e a Leitura


Gostava de aqui falar deste assunto que muitas vezes se torna um problema para muitas crianças e famílias que é o gosto pela leitura e a sua aprendizagem. Quantos adultos conhecemos que não gostam de ler, nunca gostaram de ler e simplesmente não lêem e ninguém se pergunta porquê?
Para mim, a explicação é muito simples e infelizmente continua a acontecer nas escolas de hoje. As crianças não aprendem a ler porque são ensinadas a ler. Salvo raras excepções, as crianças são ensinadas a ler, com regras, com métodos, com truques, por obrigação e principalmente com livros que não têm o mínimo interesse para ninguém e muito menos para elas. 
Mais uma vez afirmo com toda a certeza e convicção que nenhum ser humano aprende seja o que for se o tema não for do seu interesse e isso também se aplica aos livros. Se a leitura, ou a aprendizagem da leitura não for feita com vontade e curiosidade, então não vai acontecer. Simples! Claro que há crianças que aprendem seja em que condições for, crianças essas que já estão formatadas e resignadas às escolhas dos adultos que as acompanham no seu crescimento e que simplesmente fazem o que se lhes pede, com mais ou menos sucesso, mas sem sequer questionarem o que lhes é imposto. Mas no que diz respeito à leitura, não acredito que essas mesmas crianças venham a ser curiosas e apaixonadas por livros a não ser que, a meio do percurso se consigam libertar dessas imposições e sigam os seus gostos e a sua curiosidade. Aí sim, ainda pode haver salvação. Mas a grande maioria dos adultos que não gostam de livros e que simplesmente não lêem, foram crianças a quem nunca perguntaram o que queriam ler e se queriam ler. Aliás, como se pode estar a incentivar a leitura nas crianças se não se dá valor à descoberta dos gostos literários mas simplesmente se avalia quantas palavras conseguem ler por minuto? Ridículo, não acham?

Aqui em casa, temos exemplos de todos os tipos no que diz respeito à descoberta da leitura. Bom, eu e o pai somos apaixonados por livros desde sempre, e eu, lembro-me de na minha adolescência ter devorado todos os livros de bolso da Europa América, sem nunca ter sido obrigada a nada. Claro que, dos livros do liceu, não li nem um, apenas os resumos e por obrigação.

A Madalena aprendeu a ler ainda ensinada por uma professora e sempre gostou de o fazer até lhe imporem determinadas leituras. Nessa altura deixou simplesmente de ler, o que me fez perceber que o problema estava, não nela, mas nos livros que lhe eram sugeridos, ou mesmo impostos. Decidimos em família que a Madalena só leria os livros que quisesse ler e informámos a professora de português que assim seria. A partir desse momento a Madalena é capaz de ler um livro com 400 páginas em pouco mais de uma semana, e lê-o com sofreguidão, com paixão, com medo que o livro chegue ao fim, e vai descobrindo os seus gostos pessoais. Claro que eu sou uma intermediaria neste processo, pois conheço-a muito bem e vou descobrindo os livros que acredito que são os que ela gosta. 

Temos o Lourenço que não queria sequer ouvir falar na palavra ler até ao momento em que decidimos que o quando, o como e o que leria seriam uma decisão dele. Demos-lhe liberdade total neste processo sem impor tempos ou metas. Sempre li para ele, e para todos eles, diariamente, e continuo a fazê-lo e acredito que um dia ele irá ler o seu primeiro livro e que esse será apenas o primeiro de muitos.

O pequeno Simão adora livros, já reconhece muitas letras e gosta de fazer as suas tentativas na leitura, embora ainda apenas com jogos de palavras e livros muito simples. Mas o Simão tem 4 anos.

A partir da experiência com os meus filhos, das dificuldades, das alegrias e das descobertas, elaborei uma lista de princípios que considero importantes para a aprendizagem da leitura e que nos ajudam a criar leitores apaixonados. Espero que gostem e que vos ajude no processo.

1. haver sempre livros e todo o tipo de livros espalhados pela casa. Em cima das mesas, nas prateleiras, nos quartos, nas camas e até na casa de banho e deixar as crianças explorar e escolher.
2. descobrir quais os interesses das crianças que vivem connosco e deixar à mão deles livros sobre esses mesmos temas. Não precisamos gastar fortunas em livros, existem bibliotecas.
3. ler para as crianças diariamente e se for na hora de ir para a cama, não os obrigar a deitar a cabeça na almofada. É importante que eles possam acompanhar a história, ver as ilustrações e se mostrarem interesse, deixá-los seguir a leitura através dos nossos dedos que podem acompanhar o texto.
4. deixar a criança escolher a história, sempre!!! Mesmo quando já a lemos 30 vezes e sabemos os diálogos de cor. E eles também!!!
5. nunca obrigar a criança a ler se ela o não desejar e no caso da criança já ler, respeitar a velocidade a que lê e a quantidade de texto que quer ler.
6. aprender a ouvir a criança sem interromper a leitura para a corrigir. As crianças não são parvas e percebem quando o que estão a ler não faz sentido e voltam atrás.      
7. quando a criança já é autónoma na leitura podemos e devemos ajudá-la na escolha dos livros, mas sem imposições. A decisão final deverá ser sempre do leitor.
8. respeitar sempre as escolhas literárias da criança mesmo quando esta frequenta a escola e tentar fazer ver ao professor que é mais produtivo a criança ler o que quer do que não ler de todo. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Como Aprendem as Crianças


Durante estes dias em que as crianças foram passar uns dias com os avós fiquei liberta para poder, finalmente, ler a pilha de livros que tenho na minha mesa de cabeceira. Embora acredite que a experiência do dia a dia a educar 3 crianças, brevemente 4, me ensina muita coisa, tenho sempre vontade de ler mais sobre aquilo que acredito ser a educação livre. É como se procurasse uma espécie de confirmação daquilo que venho constatando ao longo destes 3 anos em Ensino Doméstico e muitas vezes é apenas uma busca de inspiração. 
Neste momento estou embrenhada no livro "Dificuldades em Aprender" do John Holt, cujo título em português é, quanto a mim, uma péssima tradução do original "How Children Fail". Digo má tradução porque o livro fala justamente daquilo que faz com que as crianças falhem a determinada altura do seu percurso escolar e essa falha não tem nada a ver com dificuldades em aprender, mas sim, na forma como os adultos, erradamente, as tentam ensinar. A culpa das dificuldades das crianças é nossa, por muito que nos custe aceitar tal facto. As crianças falham, claro, como todo o ser humano de resto, mas as dificuldades, ou aquilo a que nós educadores chamamos de dificuldades, são criadas por nós quando achamos que temos que lhes ensinar seja o que for. E muitas vezes achamos que temos que lhes ensinar determinada coisa apenas porque determinámos que lhes vai fazer falta e nunca esperamos que eles sintam essa necessidade. Nenhuma criança, e quanto a mim, nenhum ser humano, aprende algo que não seja o que quer aprender. Por muito que despejemos conteúdos e conceitos na cabeça de alguém, esse alguém só verá neles utilidade se for isso que necessita naquele momento. Por isso, se queremos ver as crianças no seu melhor, curiosas, sonhadoras, devíamos ir ao encontro das suas  necessidades, dos seus interesses, dos seus sonhos. 
Neste livro, a certa altura, o autor dá-nos uma lista de 4 coisas que devemos ter em mente quando acompanhamos as crianças no seu dia a dia de desenvolvimento das suas capacidades e conhecimentos:

     1: as crianças não precisam de ser ensinadas para aprenderem e aprenderão mais e provavelmente melhor sem serem ensinadas.
     2: as crianças estão profundamente interessadas no mundo dos adultos e no que nele se passa.
     3: as crianças aprendem melhor quando as coisas que aprendem estão integradas num contexto de vida real e fazem parte do que George Dennison, no seu livro The Lives of Children, chamou "a experiência contínua"
     4: as crianças aprendem melhor quando a sua aprendizagem está relacionada com um objetivo imediato e sério.

É nisto que eu acredito com toda a convicção. Se é fácil por em prática quando temos metas curriculares para cumprir e datas de exames a aproximarem-se? Não! Mas não é para ser fácil, é para ser apaixonante, é para ser verdadeiro, e isso depende apenas de nós pais e educadores, se queremos esperar pelas crianças e vê-las crescer saudáveis e felizes, ou se queremos o sucesso imediato a qualquer custo. 

terça-feira, 24 de março de 2015

Lavatórios, Icebergs e Filmes


Hoje de manhã, na casa de banho, o pequeno Simão perguntou para que serve aquela ranhura do lavatório que fica por baixo da torneira. Depois da explicação teórica, enchemos o lavatório com água até começar a sair pela ranhura e fui-lhe fazendo perguntas. Se sair mais água pela torneira do que aquela que sai pela ranhura o que acontece à água do lavatório? E se for ao contrário, o que acontece? O Simão foi respondendo e percebendo a relação entre a quantidade de água que entra e a que sai dependendo do fluxo em cada lado. Com uma taça de plástico, o Simão fez um barco e tentou fazer outro com um copo e percebeu que a taça fica a boiar, mas que o copo vai ao fundo "porque o copo é mais magro", segundo ele. Depois disse que a taça, se ficasse cheia de água ía ao fundo como o Titanic. Aí começaram as minhas perguntas:

- Porque é que o Titanic foi ao fundo?
- Porque bateu numa rocha gigante.
- Numa rocha?
- Numa rocha de gelo. Numa montanha de gelo.
- Como se chamam essas montanhas de gelo?
- Iceberg.
- E algumas pessoas no barco morreram como?
- De frio
- Que se chama hipotermia
- Pois. Hipotermia. O coração começa a bater muito devagar e depois para.

Como já tinhamos visto este filme há uns meses achei interressante como a informação mais importante ficou retida na cabeça do nosso Simão que ainda nem fez 5 anos. Mais uma vez me apercebi de como as crianças aprendem com tanta facilidade e prazer quando o tema lhes interessa e a forma é lúdica. E com isto posso demonstrar como para nós, cá em casa, os filmes são uma ferramenta de trabalho importantítissima.

Estas foram algumas das perguntas que ficaram na cabeça dos mais pequenos depois do filme e para as quais procurámos respostas:

- Como se morre de hipotermia e porquê. 
- Com é que um iceberg consegue estragar um barco tão grande.
- Porque é que as pessoas morriam com a queda do barco, com o impacto.
- Porque é que os ricos e os pobres viajavam em zonas diferentes do barco.
- Porque é que algumas pessoas ajudavam os outros e outras nem por isso.
- Porque é que na viagem entre Southampton e Nova Iorque foram para águas tão geladas? 

Durante a nossa pesquisa sobre a hipotermia descobrimos este video alucinante sobre um Britânico que mergulha e nada em águas geladas. Este vídeo levou-nos para além da hipotermia, para o tema do aquecimento global no Planeta. Mais um tema a explorar. Só falta encontrar um filme à altura!!