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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Orangotangos

 



Há uns tempos lemos num livro que os orangotango filhotes vivem os primeiros 4 anos de vida em cima das mães. 
Já passámos essa fronteira, e há dias, muitos, em que me sinto uma verdadeira primata!
Pronto, era isto!!

terça-feira, 19 de junho de 2018

We Hurry Our Children

"We hurry our children to learn, to grow, to attend lessons and activities, to go to school. Like the hurrying that we imagine will result in more knowledge, we hurry our children out of the nest and into institutions run by strangers whose interaction with them is not always informed by love. As a society it sometimes seems as if we believe that hurrying our children into regimentation will make them tough and realistic, keep them from being vulnerably dependent on the protection of loving parents. Yet like academic hurrying, this independence-hurrying often has an effect contrary to our intentions. Paradoxically, it may prevent kids from growing up strong and independent. Independence grows form unconditional love, trust, and having one's appropriate dependency needs met, not from premature withdrawal of support. Perhaps our pressure on our children to grow, to learn, and to achieve is a reflection of our own way of being, as we hurry ourselves from task to task, from job to home, and through each moment, absorbed in our thoughts and anxieties, reacting rather than responding, acting from fear rather than love. Allowing our children the freedom to develop their own interests, to respond authentically to opportunities, and to grow and learn at their own pace is nothing less than refusing to indulge our fears and anxieties about the future and instead taking a courageous stand on behalf of love."
Grace Llewellyn - "Guerrilla Learning", 2001



foto tirada por César Betioli










quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Quando os Dias Ficam Mais Vazios mas o Coração Mais Cheio

Quando temos 4 filhos damos por adquirido os dias cheios; de barulho, de confusão, de corridas, de saltos, e parece-nos que vai ser sempre assim. Depois, de repente eles crescem, começam a fazer coisas diferentes, a procurar outros interesses para além da brincadeira, como ir estudar para uma escola de arte em Lisboa ou passar quase uma semana a pedalar pelo litoral português acima numa velha bicicleta e a dormir onde calha. 
Eles crescem, faz parte, e nós também crescemos com eles. E eu adoro olhar para eles a ganharem asas mais depressa do que alguma vez pensei que fossem capazes. E penso para mim que é este o meu objetivo, que é este o sentimento que procuro neles, esta vontade de explorar o mundo, cada um à sua maneira, cada a um a seguir os seus sonhos. E fico feliz!
E fico com um bocadinho mais de tempo para me deleitar nas pequenas coisas que os mais pequenos ainda fazem aqui debaixo das minhas asas. Um dia também vão voar por aí sozinhos, mas para já, deixem-me aproveitar...





 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Porque cada Criança e Ser Humano são Únicos e Individuais



Porque cada criança tem o seu ritmo, de vida, de rotinas, de aprendizagem. Porque quando já todos estão deitados e a dormir é quando o nosso pequeno Simão escolhe, muitas vezes, "fazer coisas". O seu pico de criatividade é quase sempre depois das 10h da noite. Muitas vezes já não consigo acompanhar o processo, estou exausta e já só anseio pelo momento de me deitar, mas sabe-me bem olhar para ele, comtemplar a sua individualidade, respeitar o seu ritmo e admirar como todas as crianças são realmente tão diferentes. 
Neste papel que escolhi na vida dos meus filhos resta-me apenas aceitar este facto e dar-lhes as condições e as ferramentas que necessitam para expressarem a sua individualidade. 
Estou grata porque posso e porque eles podem.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Aquele Momento em que Deixamos de Lavar Rabos




Aquele momento em que a vozinha vinda da casa de banho não diz, "já fiz cocó" mas sim, "já me lavei... sozinho", e o mundo gela e para à nossa volta e sentimos aquele aperto no peito e sorrimos em silêncio para aquela cara feliz que nos olha com expressão de vitória enquanto nós gritamos por dentro "nãaaaaaaaooooo"!!!!
Para eles são marcos no crescimento, mas para nós são facas espetadas no coração. Já passei por isto, já devia saber como é, mas achamos sempre que o próximo vai estar ali, dependente de nós durante mais um bocadinho. E depois, quando isto acontece, o mundo desaba aos nossos pés.
Não, não é o fim do mundo, é até algo muito positivo, é autonomia, é independência, é crescimento, mas um coração de mãe gosta de lavar rabos e dentes e cortar unhas e deitar na cama deles até adormecerem e ler histórias até à exaustão.
Lembro-me da primeira vez que a Madalena não me chamou para lhe lavar o cabelo, e da primeira vez que o Lourenço não precisou que lhe desse banho, e agora, agora o pequeno Simão gritou lá de dentro que já se lava sozinho depois de sair da sanita. E ainda nem lhe caíram os dentes!!!! Bem sei que ainda não é definitivo, mas é o princípio do fim do nosso ritual.
Bem sei que precisarão de mim para outras coisas também importantes, que chamarão sempre por mim para muita coisa e isso faz-me pensar que devo aproveitar esses momentos em vez de reclamar. Mãe faz-me uma torrada, mãe acende a luz da casa de banho, mãe deita-te aqui comigo, mãe prepara-me o biberão, mãe corta-me as unhas, mãe o que significa esta palavra em inglês, mãe leva-me ao cinema, mãe ajuda-me aqui na matemática, mãe recorta-me este desenho, mãe lê-me esta história, e tantas outras coisas.
Neste ano que aí vem, prometo a mim mesma que darei mais valor a estes pedidos, mesmo quando estou cansada. E desejo poder lavar o rabo do Simão durante mais uns tempos. Aquele gesto carinhoso de se agarrar à minha perna enquanto eu o lavo no bidé e trocamos umas palavras... ficará para sempre na minha memória. Por muitas coisas importantes que vivamos juntos, são estes pequenos gestos, simples, que fazem a vida valer a pena.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A Magia e a Adrenalina dos Dias com 3 Crianças e um Bebé

Porque apesar de parecer que os nossos dias são sempre organizados e tranquilos, que tudo corre bem e que eu estou sempre com um sorriso, a verdade é que normalmente são um verdadeiro circo e que a nossa casa parece um campo de batalha. 
Viver com 4 crianças em permanência absoluta, significa passar o dia a fazer comida e a lavar loiça, ou, em alternativa, a preparar piqueniques muitas vezes com o bebé ao colo, para no final do dia lavar a loiça do jantar mais a loiça do piquenique. E para fazer comida é preciso ir às compras... muitas compras para barriguinhas esfomeadas....

Aqui em casa todas as crianças, incluindo o bebé, assim que acordam de manhã querem apanhar ar. Ainda eu não recuperei de mais uma noite aos trambolhões, porque o bebé come mais durante a noite do que durante o dia em que anda muito atarefado a tentar fazer coisas de bebé atómico, e já estão todos preparados para o passeio.
Mas para sair de casa com 3 ou 4 crianças é preciso um saco de sobrevivência cheio de comida, como se estivéssemos em fuga em pleno apocalipse. E quem prepara os mantimentos é a mãe, muitas vezes enquanto faz números de circo com facas, fruta e bebé à mistura.

No momento de sair de casa, depois de uma hora na cozinha, percebemos finalmente que aquele cheiro estranho afinal vem do bebé que transborda de cocó desde as pernas até ao pescoço. Mais meia hora para dar banho ao bebé e mudar de roupa.
Finalmente saímos e vamos passear. Se formos de carro é o berreiro do bebé até ao destino, se formos a pé, adormece ao colo, claro, assim que saímos a porta de casa. E os outros querem comer assim que chegam à rua como se ainda não tivessem bebido um batido, comido umas torradas e mais uma papa de aveia. E com isto já são 11 da manhã.

Durante o dia, se ficamos por casa, tentamos ler histórias, fazer trabalhos manuais, jogar jogos de tabuleiro enquanto o bebé se dedica à organização das prateleiras dos livros, ou come os restos do jantar da noite anterior misturados com pelo de gato e umas peças de lego.
Depois é preciso tomar aquela decisão quando vamos estender a roupa. Levamos primeiro o bebé para o quintal ou levamos primeiro a roupa e depois voltamos para vir buscar o bebé? Ou levamos os dois ao mesmo tempo? E estendemos a roupa com o bebé ao colo ou ele até está bem disposto e fica a brincar ao nosso lado com os irmãos que lhe fazem razias à cabeça com a espada de madeira e a lança de homem primitivo? 
E enquanto faço as camas? Deixo-o dentro da cama de grades, que só é usada em situações de emergência em que ninguém pode tomar conta do bebé, sabendo que vai começar a berrar, ou deixo-o no chão a pendurar-se nas minhas pernas e a tentar subir por mim acima ou a por-se em pé sozinho enquanto entala os dedos nas gavetas da cómoda? Ou desisto e faço as camas com ele ao colo? Ou desisto e não faço as camas?

Ao final do dia, é preciso fazer o jantar. Mais uma horita na cozinha a tropeçar no bebé que vai atirando laranjas para debaixo do armário e petiscando uns biscoitos de gato como aperitivo. A alternativa é fazer o jantar com o bebé ao colo ao mesmo tempo que ele deita a mão a tudo, incluindo facas, garrafas de azeite, loiça no escorredor e rolo de papel de cozinha. Ao mesmo tempo que a restante criançada grita esfomeada por comida e se atira ao pão seco como se não fosse haver mais nada para comer.

Se sobreviver a esta hora na cozinha, ainda posso ter a sorte de nem conseguir jantar. Entre bebé a pedir comida, o Simão que quer companhia para fazer cocó, todos a quererem contar as aventuras do dia gritando por cima uns dos outros para se fazerem ouvir, lá vou conseguindo comer qualquer coisa e às vezes, com muita sorte, eu e o pai até conseguimos trocar umas palavras um com o outro.

E depois vem a melhor parte: conseguir que vão todos para a cama. Mesmo com a perspetiva de terem uma história, fazem tudo o que podem para ficarem a pé, connosco, mais cinco minutos e mais cinco e mais cinco. Não temos horários rígidos para os rapazes se deitarem, mas pelo menos que fiquem no quarto deles para que nós, casal, possamos estar uns momentos a sós. Coisa impossível!!!
Mesmo a Madalena, entre ler o seu livro,  lavar os dentes econseguir chegar à cama, entra 20 vezes no nosso quarto com questões existenciais e histórias para contar.

 E o bebé, mesmo quando está exausto, de barriga cheia e rabo lavado, pode aguentar-se de holofotes acesos até lá para as dez da noite. Isto nos dias bons! Muitas vezes adormecemos, eu e o pai, antes dele. Já pensámos em amarrá-lo a nós para termos a certeza de que não cai da cama se for o vencedor da prova de quem aguenta mais tempo acordado.

Há dias alucinantes. Quase todos!  Em que parece que vivo num campo de batalha e cujo único objetivo é chegar viva ao fim do dia e sem ter atirado nenhuma criança pela janela.
E depois de mais uma noite aos trambolhões, começa tudo de novo! Querem mais emoção do que isto?









sábado, 28 de maio de 2016

6 anos de Simão, o Livre

O nosso açoriano, terceirence, rabo-torto, fez hoje 6 anos. 6 anos a crescer nos nossos braços, sem nunca ter ido à escola, sem saber o que é ter hora para acordar, ou ir dormir, ou comer, ou ir à casa de banho. 
Já não me lembro do dia em que deixou de usar sapatos, mas há anos que não os usa. Não gosta!!!! Também não gosta de calças e por isso veste calções em todas as estações. Em casa, quando não está frio, não usa roupa. 
Chamam-lhe menina por causa do seu cabelo enorme, mas ele não se rala.
Aprendeu a andar de bicicleta sozinho e percorre toda a aldeia a pedalar, deixando-me com o coração bem pequenino. A mim e a toda a gente, embora muitos já se tenham habituado.
Sobe o escorrega, os muros e as árvores e salta do baloiço em andamento. Conhece toda a gente na aldeia e já todos o aceitam como é.
Adora formigas, caracóis, minhocas, bichos de conta, marias-café, rãs e todo o tipo de bicharada. Passa horas dos seus dias a brincar com formigueiros e a explicar-me tudo o que se lá passa. 
Gosta de mapas e quer saber onde ficam os países. Quando recebemos cartas é o primeiro a correr para ir ver os selos e perceber de onde vieram. 
Gosta de jogar o jogo da memória e de pintar com pincéis. 
Mas o que mais gosta mesmo é de dragões e dinossauros.
É tão livre, tão "selvagem", corajoso e divertido...
À noite, depois da história, já deitado na cama, pede-me para lá ficar com ele, dá-me a mão e diz que me adora! É assim o nosso Simão! Tão livre, mas sempre à procura do nosso colo.
Parabéns pequeno Simão. Desejo que cresças e sejas sempre livre e feliz como és hoje. Tens a infância que eu desejo para todos os meninos.









quinta-feira, 26 de maio de 2016

Parabéns Lourenço pelos teus 10 anos de vida



Já passaram 10 anos desde que olhei para ele pela primeira vez, tão pequenino e tão frágil. Hoje, tão crescido, por dentro e por fora, continua a ter uma ternura dentro dele que o faz único e tão especial. Dos meus 4 bebés foi sempre o mais tranquilo, dorminhoco e ternurento, coisas que não se perderam ao longo desta década. 
Mas hoje, quando olho para ele, já começo a vislumbrar o homem que um dia será.
Gosta de conversar, gosta de pessoas, gosta mesmo muito de pessoas! Gosta de cães, de gatos e de cavalos. Gosta de abraçar, e abraça até quem acabou de conhecer, deixando quem não o conhece com um ar desconcertado. Gosta de gelados, de música e de dançar. Gosta de festas na cabeça, que lhe leiam histórias e de desenhar. 
Gosta de espadas, escudos e arco e flecha e gosta de os construir em madeira. Gosta de cavaleiros, índios e guerreiros, playmobil e lego. Sempre que pode faz lanças e machados a partir de paus, com a faca Opinel que comprou com o seu dinheiro.  
Deixa sempre um bocadinho de comida no prato, não gosta de sopa nem de peixe. Gosta de andar de bicicleta, de jogar à bola, adora conhecer pessoas novas e não gosta dos livros da escola. Conhece pelo nome quase todas as pessoas da aldeia onde moramos e acredito que conquistou os seus corações. 
Gosta de ganhar dinheiro e é um grande vendedor.
Gosta de filmes de aventura e de cavaleiros, de jogar Catan e de fazer Mandalas em lã. Gosta de cuidar da horta, conhece plantas silvestres e seus nomes e quando crescer quer ter uma quinta com animais, viver numa autocaravana e viajar pelo mundo.
Gosta de aprender história, os descobrimentos e a reconquista cristã, e continua a escrever apenas com letras maiúsculas. 
É assim o Lourenço que enche a nossa vida de emoção e de desafios. É assim o Lourenço que enche os nossos corações.
Parabéns Lourenço por estes 10 anos de vida vivida com muita emoção.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O Sono dos Bebés e a Razão Porque Acordam Tantas Vezes



Infelizmente há quem acredite que é possível treinar os bebés para dormirem quando os pais querem e até para não acordarem a meio da noite e incomodar o sono dos progenitores. Parece uma piada, mas há quem acredite que isto é possível e não tem graça nenhuma.
Infelizmente há quem acredite que é possível para um bebé aprender a autoconsolar-se quando acorda e voltar a adormecer sozinho e por causa desta teoria há por aí muita gente a aconselhar os pais que deixem as criancinhas aos berros porque têm que aprender que o papá e a mamã precisam de dormir.
Infelizmente ainda há quem acredite que os bebés que não dormem a noite toda têm um problema, mas ninguém pensa que se todos os bebés têm este "problema" então talvez não seja um problema e sim uma característica.
Infelizmente há quem acredite que se um bebé acorda muitas vezes durante a noite é porque está mimado e precisa é de disciplina. Há até quem chegue ao ponto de dizer que os bebés querem é manipular os pais e que então choram a noite toda só para chatear e chamar a atenção. Até dá vontade de rir não fosse tão triste o resultado de tais teorias.
E o pior é que infelizmente há pais a serem perseguidos por terceiros, incluindo pediatras, para que treinem os seus rebentos. Treino! Uma palavra que para mim não conjuga com a palavra criança. 
Para vocês, pais conscientes e preocupados em construir uma relação de profunda conexão e amor com os vossos filhos, leiam este artigo muitíssimo bom que explica muito bem porque é que os bebés e crianças até aos 3 anos, mais coisa menos coisa, acordam tantas vezes durante o sono e não nos deixam dormir a porra de uma noite seguida!
Bom, eu tenho 4 filhos, incluindo um bebé com 9 meses que acorda várias vezes durante a noite apenas para me manipular e torturar. E está a conseguir!!!
Durmam bem e bons sonhos...
E não se esqueçam de ir ler o texto!!!

quinta-feira, 31 de março de 2016

Que tipo de adultos queremos que os nossos filhos sejam?


É isto que se passa na escola tradicional todos os dias, infelizmente, e em algumas, muitas, famílias também.
Nós adultos, esperamos que os nossos filhos cresçam para serem independentes, críticos e inovadores, mas queremos que nos obedeçam cegamente e que façam tudo como lhes pedimos sem liberdade para escolherem seja o que for.
Quantos são os pais de crianças pequenas que os deixam escolher que roupas usar, como usar o cabelo, quando comer e o que comer, quando têm sede, como brincar, quem abraçar ou beijar, quando dormir? Muito poucos! 
É importante pensarmos nisto. Estas decisões que dizem respeito aos "nossos" pequenos seres humanos são de uma enorme importância para o seu saudável desenvolvimento físico e emocional. Só aprendendo a tomar decisões em criança serão capazes de o fazer quando crescerem.
E essa capacidade vai ser necessária e desejada logo a partir da adolescência, quando os nossos filhos questionam tudo e todos.
Pensemos nisto...

quarta-feira, 30 de março de 2016

O Homem é do Tamanho do Seu Sonho



Viver com uma adolescente tem sido, para mim, uma experiência maravilhosa e acredito que todos eles têm coisas extraordinárias para partilhar connosco e até mesmo para nos ensinar. 
Há uns dias, a nossa Madalena escreveu um texto lindo num teste de português, um texto que me fez acreditar convictamente que ainda há esperança na humanidade, que ainda há quem, aos 13 anos, nos diga coisas tão lindas e importantes. Que felicidade, que privilegio, partilhar os meus dias com um ser humano tão bonito...


"Na minha opinião, sonhar é importante. Quando digo sonhar, não é sonhar quando estamos a dormir, porque todas as pessoas são capazes de sonhar enquanto dormem, mas nem todas são capazes de sonhar acordadas. Sonhar quando não estamos a dormir é que é importante, ter um objetivo, um sonho, e correr atrás dele. Na minha opinião é a melhor maneira de viver a vida. 
"O homem é do tamanho do seu sonho" é uma frase dita por Fernando Pessoa, que eu gosto muito e que mostra a importância de sonhar. Para mim, sonhar é importante de tantas maneiras que acho que não as conseguia dizer todas. Sonhar não é só ter um objetivo de vida, sonhar é acreditar que o nosso sonho se vai realizar e lutar por isso. O ser humano precisa de sonhar, mas na nossa sociedade muitas vezes não cumprimos os sonhos só porque alguém nos diz que não é possível que o nosso sonho se realize, porque não está à nossa altura ou porque dizem que sonhar é criar expectativas e que isso é mau. 
Eu acho que nós, humanos, até sonhamos pouco, devíamos sonhar mais, lutar pelos nossos objetivos, e se eles não se cumprirem, pelo menos sabemos que tentámos. Devíamos todos ter não um, mas vários sonhos, porque sonhar é viver e porque "o homem é do tamanho do seu sonho".
Madalena Oliveira, 13 anos

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Para o Matias, o 6º Elemento da Nossa Família


Há bebés que nascem em famílias pequeninas cheias de amor, apenas com uma mãe e um pai para os receber no seu primeiro dia neste mundo, abraçar e beijar a toda a hora, em que todo o tempo e todo o colo é deles e para eles, em que se faz silêncio na hora do sono, nunca têm que esperar para comer nem mudar a fralda, tudo é para eles e o tempo é infinito.
Depois, há aqueles bebés que nascem em famílias cheias de gente, que quando abrem os olhos para o mundo têm vários pares de braços para os receber, todos os querem beijar e abraçar a toda a hora, mas em que todo o tempo e todo o colo não chegam porque não é só para eles. Nunca há silêncio na hora do sono e muitas vezes têm que esperar para comer ou mudar a fralda, nada do que acontece é apenas para eles e o tempo é sempre pouco. 
Mas sei que são igualmente felizes...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Almoçageme, a Nossa Aldeia

O Lourenço andou a fazer mandalas olho de deus para vender, e no sábado de manhã foi comprar pão com chouriço na feirinha de Almoçageme com o dinheiro que ganhou. Era cedo e a senhora do pão com chouriço ainda não tinha pães feitos nem o forno pronto, mas como o Lourenço gosta sempre de uma conversa, perguntou se podia lá ficar com ela, a ajudar e a conversar até os pães estarem prontos. No final comprou os 2 pães, um para ele e outro para o Simão e a senhora fez de propósito para ele mini pães com chouriço que lhe ofereceu. 
É por estas coisas que gostamos tanto desta aldeia.

                                        

                                       

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Porque a Nossa Vida é Aprender

Numa altura em que muitos parecem tão preocupados com rankings e notas até fico sem palavras para descrever o que sinto em relação a esse assunto. Assim de repente, a única coisa que me apetece dizer, copiando as palavras de alguém, é que esse tema é puro entretenimento para acéfalos! 
E como as ideias se me enrolam na cabeça, resolvi deixar aqui as palavras que um "Radical Unschool Dad" partilhou na sua página de facebook com o nome "The Unschool Dad". Estas palavras, que não são minhas, apenas as traduzi, refletem exatamente aquilo que eu penso da vida e do ensino e da educação que quero dar aos meus filhos. E é isto!!!

"A vida é a nossa escola, é assim que aprendemos. Não começámos no jardim de infância e não vamos acabar no dia em que tivermos um canudo na mão a dizer que estamos aptos para ter um emprego. Não aprendemos apenas durante alguns meses do ano, nem temos um edifício para esse fim, nem livros que dividem a vida em capítulos e disciplinas. Não temos cadernos que separam a história, da arte, da ciência e da brincadeira. Existem palavras que não fazemos ideia de como se escrevem e equações que não sabemos resolver. Respondemos às nossas perguntas com mais perguntas e não estamos preocupados com notas ou com impressionar os outros com o que sabemos. Não vivemos numa competição que põe crianças contra crianças, adultos contra crianças e adultos contra adultos. E não temos pressa nenhuma para chegar ao fim de uma qualquer estranha corrida, pois para nós não existe corrida nem existe fim. Não precisamos de férias de inverno, ou de primavera, ou de verão porque a nossa vida é aprender."
Unschool Unleashed






















segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pequeno Grande Matias



Foi na noite de 24 de julho que o pequeno Matias começou a sua viagem para este mundo. Passei o dia cansada, sem energia, só me apetecia dormir. Há já umas duas semanas que me sentia muito cansada, mas aquele dia foi diferente. Depois de jantar fui deitar-me porque já não aguentava estar em pé. Tinha muitas contrações, que embora não fossem dolorosas já me indicavam que estava em trabalho de parto. Ainda me levantei para contar uma história aos dois rapazes antes de adormecerem como é nosso hábito, mas quando já todos dormiam, incluindo o pai, as contrações começaram a apertar e por volta da meia noite e meia saímos de casa para o hospital.
Chegámos ao hospital de cascais por volta da uma da manhã. Triagem!
Enfermeira a fazer perguntas! Eu, contrações dolorosas e seguidas! Queria "observar-me" porque podia não estar em trabalho de parto. Recusei, dizendo que sabia que estava, que era o meu quarto filho. Não há internamento sem ser "observada", respondeu! O olhar do Zé para mim, cúmplice! Respondeu-lhe que nesse caso íamos sair dali e esperar que o Matias nascesse! Enfermeira pergunta se eu aceitava fazer CTG! Aceitei! Entrei! O pai teve que ficar cá fora porque só poderia entrar depois de eu ser internada! Nunca fui internada! O pai nunca entrou!
CTG! Pedi para ficar de pé! Olhares aborrecidos e suspiros! Contrações seguidas, sem intervalos. Saí do CTG! Enfermeira e médico a fazer perguntas! Enfermeira a impingir epidural! Recusei! Eu em pé a respirar de olhos fechados! Enfermeira a chamar-me irresponsável por não aceitar o "toque"! Médico sentado a contar semanas num calendário! Palavras nos meus ouvidos para me sentar! Eu só queria estar em pé! Era impossível sentar-me com tantas dores! Respirava de olhos fechados! Enfermeira encostada à parede a brincar com o telemóvel! Médico a fazer perguntas! Sentei-me! Quantas semanas? Fez todas as análises? Quem era o seu médico? Data da última mesnstruação?  Porque não fez a primeira ecografia? Porque não fez amniocentese? Levantei-me! Bolsa rebentou aos pés do médico que nem se mexeu, só olhou com ar enojado! Enfermeira fugiu da sala e resmungou! Senti a cabeça do Matias sair! Gritei-lhes que ele ía nascer! Riram-se de mim! Médico a dizer para me deitar para me "observar"! Recusei! Disse-lhe que queria parir de cócoras! Gritos! Que não podia ser! Médico agarrou-me no braço a dizer que era ele quem mandava ali e que tinha que me deitar de barriga para cima e pernas abertas! Recusei! Médico abandonou a sala e nunca mais o vi até hoje! Gritei que o Matias estava com a cabeça de fora! Risos! Alguém me despiu as calças e as cuecas e gritou que se via a cabeça do bebé! Gritos! Corridas pelos corredores! Gritos! Eu, perdida, no meio dos gritos! Subi para a cama! De lado! Continuavam todos a gritar, menos eu! Eu respirava e sentia o ardor da pele e do músculo que rasgaram! Respirava! Pedi ajuda! Gritaram para me deitar e eu gritei que não! Gritaram que enquanto não me deitasse não me faziam o parto! E não fizeram! Coloquei-me de joelhos em cima da cama e o Matias saiu! Parteira a gritar que não o conseguia agarrar naquela posição! Eu gritei-lhe que conseguia! Ela rodou-o e ele nasceu! Apanhei-o de cima da cama! Abracei-o! Eram 2h29m do dia 25 de julho. Só depois o pai entrou!
Chorei durante dois dias depois do parto sempre que me lembrava de como tinha sido, de como me senti perdida e sem apoio de ninguém. Depois, com o passar dos dias percebi como foi catártico! Foi o que tinha que ser! Foi exatamente como eu queria que fosse, sem interferências de ninguém. Sem soros, sem ocitocina, sem epidural, sem nada, natural! Foi libertador! Só senti falta de uma mão amiga, de um abraço que me ajudasse a suportar as dores, de uma palavra a dizer que estava tudo bem, do homem que amo e que é pai dos meus filhos a dar-me a mão. Só! Esse "só" é tudo o que nós mulheres precisamos para ter um parto humanizado. Quando tudo está bem, quando não há complicações, não precisamos de mais nada! Eu não tive isso porque quis um caminho diferente daquele que a equipa médica tinha à minha espera. O meu parto foi uma luta que espero que abra caminho para partos mais humanizados. Não o fiz por essa razão. Fi-lo porque sou teimosa e meti na cabeça que era assim que queria parir. Mas agora, dois meses passsados, espero que as nossa luta por um parto mais humanizado abra o caminho para a próxima geração das nossas filhas e noras! Para que elas possam parir em paz! E para que os homens possam fazer parte desse processo como se nunca tivesse sido de outra forma! 
Parabéns Matias! Espero que venhas a ser um desses homens!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Wolf Children e a Liberdade de Escolher

Resultado de imagem para wolf children

Com o tempo acho que contagiei os meus filhos com o vício dos filmes de animação japoneses. Andam sempre à procura de algum que ainda não tenhamos visto e no meio de muitos que até nem interessam assim tanto, descobrimos verdadeiras obras de arte que nos marcam e que vemos vezes sem conta.
Um desses filmes chama-se wolf children e lembrei-me dele porque tem a ver com aquilo que queria aqui falar hoje, com as escolhas que os nossos filhos fazem ao longo das suas vidas e que nem sempre são aquelas que gostaríamos que fizessem, mas que ainda assim nos deveriam deixar felizes pelo simples facto de mostrarem que eles têm capacidade de as fazer. 
Quando falo de escolhas, falo de coisas do dia a dia que nós adultos temos dificuldade em aceitar, mas que para eles são importantes, lhes constroem a autoestima e são um treino para futuras escolhas mais complexas e importantes nas suas vidas. É como treinar com pesos pequenos para que um dia consigam treinar com pesos bem grandes. Porque crianças que aprendam a fazer escolhas em pequenas, mesmo errando, serão capazes de fazer escolhas mais complexas quando forem adultas. 
Para nós, enquanto família em Ensino Doméstico, fez parte de todo o processo aprender a aceitar as escolhas dos nossos filhos tentando não os controlar. Esta noção que temos de que podemos controlar tudo o que eles fazem é uma ilusão que só nos leva a guerras e desilusões. E a desilusão só acontece porque criámos expectativas, porque estamos à espera que eles sejam algo que não são mas que nós imaginámos que fossem ou queríamos que fossem.
Para nós, tomarmos consciência de que ao tentarmos controlar os nossos filhos só estávamos a distanciar-nos deles, fez-nos perceber que seriamos todos muito mais felizes se lhes déssemos hipótese de escolher nas coisas que lhes dizem respeito. E rapidamente chegámos a um ponto em que a nossa convivência é pacífica, em que nos entendemos e nos sentimos ligados, conseguindo comunicar sem segredos, podendo falar de tudo porque respeitamos as opiniões uns dos outros. 
Coisas como a roupa que querem vestir, se querem andar calçados ou descalços, o que comem e quando comem, se bebem água, se cortam o cabelo e como o cortam, se querem tomar banho, se querem ou não dormir, se querem ir passar uns dias a casa dos avós, se querem dar beijinhos às outras pessoas, como gastam o seu dinheiro, são decisões inteiramente deles. 
Claro que ao crescerem as decisões serão também elas mais complexas e algumas podem ir completamente contra aquilo em que acreditamos ou o caminho que queremos fazer, mas não deixam de ser as suas escolhas. Quando a nossa filha Madalena decidiu ir para a escola, foi uma decisão difícil para mim, talvez também para o pai, mas mais para mim. Queria dar-lhe essa liberdade, mas ao mesmo tempo não queria que ela fizesse essa escolha. Vejo todos os dias que a escola não é um lugar onde se aprenda alguma coisa de útil, onde se conheçam muitas pessoas interessantes, mas tive que aprender a viver com essa sua decisão. Se foi esse o caminho que escolheu e se encontrou o que procurava, então só posso ficar feliz por ela. Confesso que não tem sido fácil para mim aceitar isto, tem sido uma luta interior diária, há dias em que quase parece que desisti dela porque deixei de lutar por aquilo que acreditava ser o melhor para ela, mas depois penso que é o seu caminho e não o meu. Só poderei encontrar paz na minha relação com ela se aceitar que ela é capaz de tomar decisões sozinha, de escolher o seu caminho. E os nossos filhos serão sempre perfeitos se aprendermos a não ter qualquer tipo de expectativas em relação a eles, se aprendermos a aceitá-los exactamente como eles são. E não digo que seja fácil, para mim não foi nem está a ser, mas se quiser escolher o amor e o respeito dos meus filhos terei que ser capaz de os deixar viver as suas vidas. É um trabalho que terei que fazer todos os dias, mas acredito que vou conseguir lá chegar.