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terça-feira, 2 de junho de 2015

Wolf Children e a Liberdade de Escolher

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Com o tempo acho que contagiei os meus filhos com o vício dos filmes de animação japoneses. Andam sempre à procura de algum que ainda não tenhamos visto e no meio de muitos que até nem interessam assim tanto, descobrimos verdadeiras obras de arte que nos marcam e que vemos vezes sem conta.
Um desses filmes chama-se wolf children e lembrei-me dele porque tem a ver com aquilo que queria aqui falar hoje, com as escolhas que os nossos filhos fazem ao longo das suas vidas e que nem sempre são aquelas que gostaríamos que fizessem, mas que ainda assim nos deveriam deixar felizes pelo simples facto de mostrarem que eles têm capacidade de as fazer. 
Quando falo de escolhas, falo de coisas do dia a dia que nós adultos temos dificuldade em aceitar, mas que para eles são importantes, lhes constroem a autoestima e são um treino para futuras escolhas mais complexas e importantes nas suas vidas. É como treinar com pesos pequenos para que um dia consigam treinar com pesos bem grandes. Porque crianças que aprendam a fazer escolhas em pequenas, mesmo errando, serão capazes de fazer escolhas mais complexas quando forem adultas. 
Para nós, enquanto família em Ensino Doméstico, fez parte de todo o processo aprender a aceitar as escolhas dos nossos filhos tentando não os controlar. Esta noção que temos de que podemos controlar tudo o que eles fazem é uma ilusão que só nos leva a guerras e desilusões. E a desilusão só acontece porque criámos expectativas, porque estamos à espera que eles sejam algo que não são mas que nós imaginámos que fossem ou queríamos que fossem.
Para nós, tomarmos consciência de que ao tentarmos controlar os nossos filhos só estávamos a distanciar-nos deles, fez-nos perceber que seriamos todos muito mais felizes se lhes déssemos hipótese de escolher nas coisas que lhes dizem respeito. E rapidamente chegámos a um ponto em que a nossa convivência é pacífica, em que nos entendemos e nos sentimos ligados, conseguindo comunicar sem segredos, podendo falar de tudo porque respeitamos as opiniões uns dos outros. 
Coisas como a roupa que querem vestir, se querem andar calçados ou descalços, o que comem e quando comem, se bebem água, se cortam o cabelo e como o cortam, se querem tomar banho, se querem ou não dormir, se querem ir passar uns dias a casa dos avós, se querem dar beijinhos às outras pessoas, como gastam o seu dinheiro, são decisões inteiramente deles. 
Claro que ao crescerem as decisões serão também elas mais complexas e algumas podem ir completamente contra aquilo em que acreditamos ou o caminho que queremos fazer, mas não deixam de ser as suas escolhas. Quando a nossa filha Madalena decidiu ir para a escola, foi uma decisão difícil para mim, talvez também para o pai, mas mais para mim. Queria dar-lhe essa liberdade, mas ao mesmo tempo não queria que ela fizesse essa escolha. Vejo todos os dias que a escola não é um lugar onde se aprenda alguma coisa de útil, onde se conheçam muitas pessoas interessantes, mas tive que aprender a viver com essa sua decisão. Se foi esse o caminho que escolheu e se encontrou o que procurava, então só posso ficar feliz por ela. Confesso que não tem sido fácil para mim aceitar isto, tem sido uma luta interior diária, há dias em que quase parece que desisti dela porque deixei de lutar por aquilo que acreditava ser o melhor para ela, mas depois penso que é o seu caminho e não o meu. Só poderei encontrar paz na minha relação com ela se aceitar que ela é capaz de tomar decisões sozinha, de escolher o seu caminho. E os nossos filhos serão sempre perfeitos se aprendermos a não ter qualquer tipo de expectativas em relação a eles, se aprendermos a aceitá-los exactamente como eles são. E não digo que seja fácil, para mim não foi nem está a ser, mas se quiser escolher o amor e o respeito dos meus filhos terei que ser capaz de os deixar viver as suas vidas. É um trabalho que terei que fazer todos os dias, mas acredito que vou conseguir lá chegar. 
  

terça-feira, 24 de março de 2015

Lavatórios, Icebergs e Filmes


Hoje de manhã, na casa de banho, o pequeno Simão perguntou para que serve aquela ranhura do lavatório que fica por baixo da torneira. Depois da explicação teórica, enchemos o lavatório com água até começar a sair pela ranhura e fui-lhe fazendo perguntas. Se sair mais água pela torneira do que aquela que sai pela ranhura o que acontece à água do lavatório? E se for ao contrário, o que acontece? O Simão foi respondendo e percebendo a relação entre a quantidade de água que entra e a que sai dependendo do fluxo em cada lado. Com uma taça de plástico, o Simão fez um barco e tentou fazer outro com um copo e percebeu que a taça fica a boiar, mas que o copo vai ao fundo "porque o copo é mais magro", segundo ele. Depois disse que a taça, se ficasse cheia de água ía ao fundo como o Titanic. Aí começaram as minhas perguntas:

- Porque é que o Titanic foi ao fundo?
- Porque bateu numa rocha gigante.
- Numa rocha?
- Numa rocha de gelo. Numa montanha de gelo.
- Como se chamam essas montanhas de gelo?
- Iceberg.
- E algumas pessoas no barco morreram como?
- De frio
- Que se chama hipotermia
- Pois. Hipotermia. O coração começa a bater muito devagar e depois para.

Como já tinhamos visto este filme há uns meses achei interressante como a informação mais importante ficou retida na cabeça do nosso Simão que ainda nem fez 5 anos. Mais uma vez me apercebi de como as crianças aprendem com tanta facilidade e prazer quando o tema lhes interessa e a forma é lúdica. E com isto posso demonstrar como para nós, cá em casa, os filmes são uma ferramenta de trabalho importantítissima.

Estas foram algumas das perguntas que ficaram na cabeça dos mais pequenos depois do filme e para as quais procurámos respostas:

- Como se morre de hipotermia e porquê. 
- Com é que um iceberg consegue estragar um barco tão grande.
- Porque é que as pessoas morriam com a queda do barco, com o impacto.
- Porque é que os ricos e os pobres viajavam em zonas diferentes do barco.
- Porque é que algumas pessoas ajudavam os outros e outras nem por isso.
- Porque é que na viagem entre Southampton e Nova Iorque foram para águas tão geladas? 

Durante a nossa pesquisa sobre a hipotermia descobrimos este video alucinante sobre um Britânico que mergulha e nada em águas geladas. Este vídeo levou-nos para além da hipotermia, para o tema do aquecimento global no Planeta. Mais um tema a explorar. Só falta encontrar um filme à altura!!


domingo, 23 de março de 2014

The Garden of Words - Makoto Shinkai

Mais uma obra de arte de Makoto Shinkai, vencedora do primeiro prémio no Gold Coast Film Festival na Austrália, acompanhada pela belíssima música de Kashiva Daisuke. 
Descobri há pouco tempo que os filmes de animação japoneses estão na lista dos meus preferidos. E se já gostava de todos os filmes de Miyasaki, tenho que admitir que Makoto Shinkai me deslumbrou. Ando simplesmente apaixonada pelos seus filmes e vejo-os vezes e vezes sem conta em busca de novos pormenores que me tenham escapado. The Garden of Words foi a minha última descoberta.
Mais uma história de encontro e desencontro, de um amor impossível, sempre com a presença dos comboios, das estações do ano, da passagem do tempo e das árvores, como companhia.
Deixo-vos com a banda sonora do filme e o link para o verem em Japonês, com legendas em inglês, como eu gosto. Simplesmente maravilhoso!


sábado, 1 de março de 2014

5 Centimeters per Second - Makoto Shinkai



Adoro filmes de animação japoneses. Já vi todos os que consegui encontrar de Hayao Miyasaki e continuo sempre à procura de mais. Numa das minhas buscas na internet descobri este filme, 5 Centimeters per SecondNunca tinha ouvido falar do realizador e comecei a vê-lo apenas por curiosidade, mas já não consegui parar. É uma história de desencontro, de um amor impossível, triste, mas está muito bem feito e para mim foi um dos melhores filmes de animação que vi até hoje.
O filme é de Makoto Shinkai que com ele ganhou o Asia Pacific Screen Award para melhor filme de animação. A banda sonora é de Tenmon. Simplesmente maravilhoso!
Agora resta-me arranjar um tempo para ver os restantes filmes de Shinkai que já tenho em lista de espera.
Enjoy!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Viagem à Lagoa Azul

Já disse aqui diversas vezes que os meus filhos adoram filmes. Saíram à mãe. Deve haver quem ache que eles veem demasiados filmes, mas eu acho que isso não existe. Livros e filmes ensinam-nos a sonhar, ajudam-nos a crescer e a explorar. Mostram-nos o mundo, aquele lá fora e o da fantasia. Ajudam-nos a escolher o nosso caminho.
Depois do fantástico filme "A Encantadora de Baleias", lembrei-me que talvez eles gostassem de ver "A Lagoa Azul". Talvez pensem que não é um filme para a idade deles, que fala muito do despertar da sexualidade,  mas como cá em casa vivemos esse tema com muita descontração e naturalidade, esse lado do filme não os marcou. Fizeram algumas perguntas, claro, mas o que os atraiu foi o lado aventureiro do filme. Sobreviver numa ilha deserta!!! Sozinhos!! Uau!! Vimos o filme juntos e eles tiraram para si aquilo que precisavam neste momento, a aventura, que transpuseram para as suas brincadeiras.
Assim, ontem depois do almoço, saíram quintal afora todos apetrechados e quando me apercebi do que se passava já estava tudo planeado e preparado. Só faltava uma caixa de fósforos. Uma caixa de fósforos? Pois! Uma caixa de fósforos. Claro que parei uns segundos para pensar! E perguntei-me se iriam pegar fogo ao quintal ou uns aos outros. Depois, calmamente medi as consequências e achei que não devia estragar-lhes aquele momento. Entreguei-lhes a caixa de fósforos! E o que se seguiu foi isto que aqui registei. Diverti-me imenso a fotografá-los às escondidas, do cantinho da nossa sala. 
Acenderam a fogueira, cozinharam uma sopa, apanharam bananas e maçãs da árvore da ilha (que nem povo recoletor), fizeram danças à volta da fogueira e só voltaram para casa às cinco da tarde para um lanche de panquecas. Coisa já mais civilizada e para quem tinha a barriga a roncar.
São estes pequenos momentos que me fazem acreditar que estamos no caminho certo, que estão a crescer felizes e que não os estou a privar de liberdade. Há alturas em que sinto alguma insegurança, em que me questiono se estou a fazer o que está certo, mas estes momentos fazem-me sentir tranquila e confiante. 











segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Paikea



De acordo com a tradição Maori, Paikea foi líder dos antepassados da tribo Ngati Porou que habita a zona Este da Ilha do Norte da Nova Zelândia. Conta a lenda que esta tribo chegou à Nova Zelândia em canoas. Quando a canoa onde Paikea viajava se virou ele foi salvo por uma baleia corcunda e assim, nas costas dela conduziu a sua tribo para terra.

A tradição da tribo Maori diz que o primeiro filho do chefe da tribo seria considerado descendente de Paikea e líder espiritual do povo.
Esta lenda deu origem ao livro "A encantadora de baleias" de Witi Ihimaera, e deste nasceu o filme com o mesmo nome, realizado por  Niki Caro. Foi classificado como filme de qualidade e ganhou 6 prémios do cinema.

Na passada semana, na nossa ida à biblioteca, ao espreitar um filme para ver em casa com os miúdos que não fosse desenhos animados, dei de caras com ele e soube que nos estava destinado. Resolvi fazer uma sessão de cinema com as crianças e o filme foi adotado pelos mais pequenos para ser visto em modo repeat. Os meus filhos são assim, quando gostam de um filme veem-no vezes sem conta, até se cansarem.
Aproveitámos para rever mais umas coisas sobre as baleias, sobre os índios Maori, e li-lhes a lenda de Paikea, que acho muito bonita. Eles ficaram fascinados. Quanto a mim, guardo este filme no meu top 10!!
Ah! E a banda sonora, claro! Fantástica! Depois de espreitar na internet descobri que é da Lisa Gerrard e encontrei o álbum no you tube. Muito bom! Espero que gostem como nós gostámos e deixo-vos a sugestão de uma tarde de cinema com as crianças.