Há momentos na vida em que é preciso repensar as coisas, parar, sentir e recomeçar se necessário. Por vezes atiramo-nos de cabeça num certa direção acreditando que lá se encontram as respostas para tudo, e sem percebemos deixamos para trás coisas que adoramos, e lutamos, lutamos contra a nossa essência sem nos apercebermos, até que algo acontece e nos mostra que estávamos à deriva, que o caminho não era aquele. Estamos tão focados naquele caminho que nem nos apercebemos das coisas mais importantes. Queremos levar tudo à frente e nem olhamos para o lado, nem paramos para pensar que não é aquele o caminho certo.
As últimas semanas cá em casa foram difíceis. Perdemos uma gravidez ao mesmo tempo que a nossa companheira de brincadeiras, a Nina, uma cadela pastor alemão que fomos buscar ao canil morreu pouco tempo depois de estar connosco. Foi duro para nós crescidos e foi ainda mais duro para as crianças. É regra nossa cá em casa que nunca há segredos entre nós. Nunca! Em situação alguma. Por isso, tudo isto foi vivido em conjunto, sofrido em conjunto. Celebrámos essas perdas com cerimónias muito nossas, e fico feliz por vivermos as coisas desta forma. Saímos destes acontecimentos mais fortes e mais unidos como família e sei que enquanto nos mantivermos assim, nada nos pode derrubar. Confiamos muito uns nos outros, respeitamo-nos e às nossas diferenças e amamo-nos muito. Somos um núcleo e estamos aqui nesta viagem uns para os outros aconteça o que acontecer. Às vezes é preciso passar pela dor para percebermos por onde não queremos ir. É preciso dar lugar à morte, mesmo das coisas materiais para podermos continuar a viagem e neste momento sei melhor do que nunca por onde não quero ir. O caminho, esse, ainda não o conheço, mas vou-o construindo dia a dia com a ajuda dos que mais amo e enquanto houver verdade, respeito, amor e confiança entre nós, conseguiremos chegar a todo o lado!